Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

A linguagem dos ciclos #ProjetoHisteria

– Não vou ser autobiográfica, quero ser bio. – Clarice Lispector

Femininos são os ciclos e esta afirmação está longe de ser essencialista.  Porque se tem algo que é comum à maioria das mulheres, são suas experiências compartilhadas sobre sangrar todos os meses. Nós sangramos todos os meses e não, isso não nos torna sagradas. Isso não “nos torna” nada, porque é o que, fisiologicamente, já somos. Corpos que menstruam. Não existe uma natureza psicológica que é própria do sexo feminino, nem uma sacralidade na sexualidade feminina. Nada disso. Porque eu não estou aqui escrevendo sobre psicologia, psique ou espírito, mas sobre corpo.  Corpo do sexo feminino. Discurso do corpo do sexo feminino sobre a história censurada do sexo feminino. Tive de começar com esta introdução para contextualizá-la sobre o fato de que, por ser uma pessoa pública, se posso dizer assim, sou acusada de essencializar o sexo feminino por ser bucetista. Acusação absurdamente infundada, assim como a interpretação errônea de que eu romantizo a menstruação por escrever sobre ela a partir de uma perspectiva diferente do lugar comum, que é a associação de menstruação à impureza.  Esta nova perspectiva sobre a menstruação –  discursiva e antimoralista, não sagrada – revela o fato de que sou contra o discurso de que menstruação é impura e nojenta, dando-me, assim, o direito de me autodefinir como uma crítica da pureza.

Ser purista é essencialmente ser romântica, porque o romantismo é sobre a pureza supremacista da heterossexualidade branca

A pureza é uma definição fascista, masculinista e racista. O mesmo discurso sobre pureza que mercantiliza a virgindade feminina , inferioriza povos não-brancos. A acusação, portanto, de que sou purista, está respondida aí. Sou crítica dos discursos sobre impureza que engessa a fisiologia feminina nos discursos pós-modernos e eurocentristas sobre gênero.  Sou crítica, portanto, das Teorias Queer. Estas sim, puristas, menos em seus discursos e mais em suas práticas observadas em Academias pelo mundo. Práticas, sim, porque conferências queer que afirmam ser o incesto uma prática positiva para a afetividade entre um pai e sua filha,  são uma prática: ativismo pedófilo. Sim, eu critico as práticas às quais as Teorias Queer dão suporte. E não, eu não sou Feminista Radical por ser crítica das teorias de gênero pós-modernas e eurocêntricas. Eu sou uma mãe lésbica latina que luta contra a pedofilia e contra o direito de machos brasileiros ou gringos tomarem nossas meninas como brinquedos sexuais. Fetiches, no discurso deles. Assim como estes masculinistas e as feministas aliadas a eles (!) concluem que sou feminista radical sem nem perguntarem pra mim (prática fascista), o Feminismo Radical, assim como eu, também é acusado de ser purista, por ser abolicionista da prostituição.

A perseguição é evidente

O abolicionismo da prostituição é o abolicionismo do pátrio poder do sexo masculino ser proprietário coletivo do sexo feminino, tendo o direito até mesmo de negociar a virgindade das crianças do sexo feminino. A virgindade tamém está aprisionada pelo discurso da pureza contra o qual feministas radicais lutam. Contra o direito que cafetões exercem. Cafetões que às vezes são os próprios pais. Não existe cafetão bonzinho que não prostitui criança, não. Não tem como dissociar prostituição de pedofilia e estupro de vulnerável, não. Este mesmo pátrio poder que negocia o sexo feminino como se propriedade masculina fosse, venceu e definiu a Família Heterossexual como a única que tem o direito de ser considerada família pelo poder do Estado. O Feminismo Radical não é purista, portanto, por ser contra o poder masculino de negociar os corpos com vagina  desde a virgindade, a pureza mais cobiçada pelo sexo masculino para que dele seja. Eu não sou feminista radical, pois nem feminista sou. Só que eu considero, sim, as teorias deixadas por feministas radicais como revolucionárias, não pelo nome, mas por terem sido escritas por mulheres que pensavam a própria condição sexual. Eu sou radical por natureza. Porque eu tenho um útero, que é a raiz da humanidade. Não preciso de nenhuma teoria para ser radical. Toda mulher já nasceu radical. A semiótica da natureza já fala por si.

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