Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

De acordo com Lacan #ProjetoHisteria 

​De acordo com Lacan, o inconsciente se estrutura como uma linguagem. É lógico que as nossas inclinações se estruturam como uma língua, pois é por meio da linguagem que nos tornamos sujeito, a linguagem compartilhada da língua nos constrói e nos atravessa. Uma estrutura básica da língua portuguesa é a divisão entre sujeito e objeto. Não é à toa que sujeito é um termo tanto linguístico quanto psicanalítico, afinal a psicanálise é o estudo da consciência-inconsciência humana. Nós, brasileiras, falamos a língua portuguesa, que divide sintaticamente o universo da linguagem entre sujeito e objeto. Nós somos criadas dentro de um sistema que já existia antes de nós, falando aqui em sistema linguístico, e este sistema linguístico, calcado em sujeito e objeto, subordinação e coordenação, em dominante e dominada, silencia sobreviventes de estupro. Ele foi criado para isso. A nossa língua portuguesa é de origem latina, basicamente a antiga língua dos clérigos, e ela só é a nossa língua hoje porque nossas bisavós foram impedidas de falar a língua de seus próprios povos. Descolonizar os conhecimentos acerca da linguagem passa pela desfalocentralização dos discursos. Ginocentrar discursos é admitir que discursos masculinistas sobre a consciência não nos ajuda a combater a cultura do estupro. Leia mulheres. Mais que as teorias. Leia suas poesias. Leia mulheres, não apenas palavras, mas seus corpos, olhos e demandas. Centralize suas leituras em mulheres. O sexo masculino nos silenciou na literatura intencionalmente a cada época. Os homens construíram as épocas, definindo a História. O sexo feminino também precisa ter o direito de definir. Eu defino toda literatura europeia sobre linguagem como colonização e descarto todas as pessoas do sexo masculino como analistas da minha sexualidade. Não tentem falocentrar minha resistência. Não tentem corrigir meus pensamentos de modo a adequá-los a Freud ou qualquer pessoa do sexo masculino que seja. Considero lesbofobia e metáfora pra cura lésbica este esforço em consertar o fato de que sou uma mulher ginocentrada.

Resumindo: foda-se o Lacan.

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