Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Fundamento n°2: Pedofilia para controle do útero a partir da infância #ProjetoHisteria

Trecho do post anterior: anatomia do fundamentalismo, assinado pelo #ProjetoHisteria e apoiado pelo movimento #MulherArtistaResista.

Fundamento n°2:

Senta que lá vem textão.

Eu poderia escrever sobre cultura do estupro, mas não tenho mais achado este debate suficiente. Decidi, portanto, focar na questão da pedofilia porque é um assunto menos debatido e que, por experiência própria, infelizmente é evitado até em espaços de luta considerados mais radicais. A pedofilia é um ataque direto aos direitos reprodutivos do sexo feminino. Portanto, não existe a menor possibilidade de lutar profundamente por direitos reprodutivos sem debater a posição da criança do sexo feminino no Brasil, país que abriga 76% dos pedófilos do mundo, e a relação desta posição com a pedofilia.

Atualmente, mais de 554 mil meninas entre 11 e 17 anos vivem em casamentos ilegais no território nacional brasileiro. O que significa que pedofilia é uma cultura, uma tradição socialmente aceita e não um tabu, uma proibição, como a psicologia pedófila faz crer (fundamento da inversão dando o ar de sua graça e completamentando o fundamento da pedofilia, OLAR). De acordo com o IPEA, 94% dos abusos sexuais contra crianças são cometidos pelo sexo masculino. Dados da extinta ABRAPIA revelam que 80% dos abusos acontecem dentro de casa e que destes, 50% são protagonizados pelos pais das crianças.

Mais do que uma cultura, a pedofilia é uma ferramenta de manutenção da política sexual masculinista de exploração do sexo feminino, visto que a maioria das mulheres prostituídas começam a ser exploradas numa idade em que o sexo é considerado pela lei estupro de vulnerável. Sem pedofilia, basicamente, não pode haver prostituição. Mas o que é a pedofilia? Sim, estou questionando o que é a pedofilia porque sei que existe uma disputa política pela definição deste termo. Na caixa dos comentários deste blog, fui procurada por uma adolescente que relatou que seu professor de filosofia, junto com seus colegas de classe, disseram a ela que o desejo sexual por crianças e adolescentes não pode ser moralmente condenável assim como o desejo de roubar um chocolate no mercado sem o ato de roubar não configura um ato condenável. Não vou nem comentar o absurdo de se comparar um ser humano com uma barra de chocolate. Vou focar no fato de que, mais uma vez, a  lógica é invertida e aponta-se  para quem repudia a fetichização de seres incapazes de consentir numa relação sexual por uma questão de maturidade cognitiva como moralistas quando a moral foi inventada exatamente para servir como ferramenta de exploração do sexo feminino.

Para a psiquiatria, a pedofilia é um transtorno da ordem da parafilia. Eu não confio nos discursos da psiquiatria sobre sexualidade e se você confia é por sua conta e risco. Vou explicar por que não confio: em um passado não muito distante, a psiquiatria considerava a homossexualidade e a lesbianidade como uma doença. Você já pensou no motivo de a psiquiatria considerar a homossexualidade doença? Simples: para marginalizar sexo não reprodutivo e perpetuar a heterossexualidade como um regime político. Há, portanto, evidências suficientes para não confiar em qualquer discurso psiquiátrico sobre sexualidade. Por que eu não acredito que pedofilia seja um transtorno? Porque, novamente, isso inverte a realidade, faz com que foquemos no suposto sofrimento psíquico e social do pedófilo (que é colocado como um transgressor de um tabu quando na verdade é um perpetuador de uma antiga tradição patriarcal, lembra?) e não no sofrimento da vítima do abuso sexual infantil. A psiquiatria também promove a separação entre o abuso de fato e o desejo do abuso, como fez o professor de filosofia da adolescente que me procurou para dialogar sobre o ocorrido em sala de aula. O objetivo com a separação é fazer parecer que o desejo por crianças ou adolescentes pode ser aceitável caso o abuso propriamente dito não aconteça. A realidade, porém, é outra: mesmo que um cara não consiga abusar fisicamente de uma criança ou adolescente, ele provavelmente é consumidor de pornografia infantil, que nada mais é do que estupro de vulnerável gravado e tornado mercadoria.

A relação entre pedofilia, prostituição e pornografia infantil é visivelmente estreita. Assustadoramente, porém, temos atualmente tramitando no poder legislativo, o PL dos Pedófilos e o PL dos Cafetões, o primeiro assinado pelo deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB) e o segundo pelo deputado Jean Wyllys (PSOL).

O primeiro PL criminalizará mães que denunciam pais por abuso sexual infantil, ignorando os dados oficiais sobre esta temática e o segundo legalizará a cafetinagem tornando exploradores sexuais em empresários enquanto seu autor afirma que pedofilia e exploração sexual são questões distintas e dissociadas.

Prova maior do que esses dois PLs de que a pedofilia é uma ferramenta de promover política sexual masculinista com objetivo de manter o sexo feminino sendo negociado pelo masculino não há.

👉 O #ProjetoHisteria é uma iniciativa colaborativa que visa reunir narrativas contra a cultura do estupro. Colabore! Basta taguear seus conteúdos com a hashtag.

Bora juntas? 👭

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

HTML básico é permitido. Seu endereço de e-mail não será publicado.

Assine este feed de comentários via RSS

%d blogueiros gostam disto: