Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Um texto definitivo* sobre ~literatura feminina~ #MulherArtistaResista

Não existe isso de “literatura feminina”, eles disseram.

Como não?

Oras, escrever é obviamente um talento sem sexo definido, escreve-se bem sendo do sexo masculino ou do sexo feminino. Por outro lado, o acesso das mulheres a postos que as permitam registrar e/ou disseminar narrativas autorais são escassos, quase nulos, eu diria.

Há um motivo muito razoável para isso. Não permitir que mulheres vivenciem plenamente o fato de que são as Criadoras muito mais que as criaturas é não permitir que as mulheres se reconheçam como o vetor da consciência humana, matriz da humanidade. Eva que veio da costela invertendo o fato de que as leis da natureza são soberanas nunca me de desceu.

Nunca.

Sempre achei absurdo isso de a Eva ter de responder pela mordida curiosa de Adão também. E a cobra, que na verdade era amiga, pois queria que a humanidade tivesse conhecimento de sua própria condição? Isso foi sempre bem, bem óbvio, escancarado para mim desde a primeira leitura. Nunca reconheci Eva como protagonista da queda do homem.

Até hoje a literatura masculina censura  biologia feminina. Os Inquisidores estão por toda a parte. As escritoras do sexo feminino, se resolvem escrever sobre a verdade que seus corpos carregam, sofrem censura. Muitas vezes uma censura indireta, camuflada de preocupação. “Estou preocupado com você”. E você escuta: sinta-se insegura. Você não pode se sentir segura. A sua segurança é uma ameaça. “Você precisa rever sua agressividade”. E você escuta: seja doce enquanto te estrangulam.

Censura.

A “literatura feminina” é um enorme buraco na história do pensamento humano. Buraco cavado pelo sexo masculino.Trata-se da literatura do sexo que sofreu e continua sofrendo a Inquisição. Mas mais do que um buraco, a literatura feminina é uma linha sendo riscada, uma linha no espaço preenchendo o instante-já vinda direto da placenta mole que é o primeiro alimento de todo ser humano.

É verdade que feminilidade é uma ferramenta de submissão, não estou dizendo que existe uma essência biológica no discurso elaborado pelas pessoas do sexo feminino. Não estou dizendo que as mulheres “têm um modo particular de escrever”, apesar de serem as melhores autoras de narrativas não-lineares, por exemplo. É sobre a experiência social de opressão sexual que é comum a qualquer pessoa do sexo feminino. A experiência que quiseram apagar da história e apagaram. A experiência que não incluíram nos livros didáticos. A experiência que não é ouvida  pelo poder público. A experiência de sermos sobreviventes uma territorialização milenar baseada no sistema reprodutor feminino.

“Literatura feminina” é literatura de quem nasceu com buceta.

*As definições sobre o sexo feminino pertencem ao sexo feminino.

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