Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

O mito da Alienação Parental

Um post de introdução à temática da Alienação Parental sob o viés de uma poeta licenciada em Língua Portuguesa, Inglesa e Literaturas, defensora dos Direitos das Mulheres, ativista contra a pedofilia, mãe, educadora e Delegada Regional do Fórum de Mulheres da subprefeitura de Santana/Tucuruvi, Zona Norte da capital de São Paulo.

Veja abaixo algumas estatísticas – muito esquisitas – sobre Alienação Parental, expostas na descrição de um vídeo que mostra trecho de uma novela global que abordou a temática:

Estatísticas Sobre Alienação Parental

Na próxima imagem, outro vídeo postado pela ONG APASE, representada pelo Analdino, cuja narrativa descredibiliza os motivos pelos quais mulheres pedem o divórcio. Uma piada nada engraçada, baseada no estereótipo da mulher fresca, que não aguenta nem um fedozinho e só sabe atrapalhar o sagrado futebol:

PiadaEstereótipo1

A origem oculta das teorias sobre Alienação Parental e SAP

Conseguiu compreender, a partir da imagem acima, por que eu julgo esquisitas as estatísticas demonstradas na imagem anterior? A partir de uma breve e simples análise do discurso, foi possível notar a base ideológica misógina da ONG APASE.

Parece pouco?

Pois só piora: não basta promover piada para esvaziar politicamente uma temática tão séria como o motivo de mulheres pedirem o divórcio, é preciso basear todo o ativismo pelos direitos dos pais em teorias criadas por um defensor declarado da pedofilia. A Síndrome da Alienação Parental foi fabricada – sim, fabricada, assim como o Déficit de Atenção e quem afirma não sou eu e sim o homem que inventou o metilfenidato, princípio ativo do medicamento utilizado para o controle do TDAH – pelo psiquiatra norte-americano Richard Gardner, um ativista pedófilo que dedicou sua vida à produção literária cujas intenções, sob profunda análise discursiva, eram promover um obstáculo a mulheres vítimas de violência que buscavam a corte na tentativa de darem um fim nas agressões vividas no ambiente doméstico, tanto por elas quanto pelas suas filhas e filhos, que mereciam crescer num ambiente que favorecesse o desenvolvimento motor e cognitivo das crianças.

Pareço louca? Juro que sou mais lúcida até do que eu gostaria. Para comprovar o que digo, deixo aqui a referência bibliográfica para uma pesquisa mais completa:

1460563116353.jpg

SAP não consta no Manual Internacional de Psiquiatria

Não há, portanto, fundamento científico para a promoção da ideia da Síndrome da Alienação Parental. O lobby para a promoção da aceitação dessas teorias é pesado, aparentemente há bastante dinheiro envolvido, merchandisings ocultos em rede nacional, espaço em telejornais e até mesmo autoridades informando estatísticas esquisitas sobre a porcentagem de falsas acusações de abuso sexual realizadas por mães contra pais com objetivo de vingança pelo término do relacionamento.

Estereótipos a serviço do pátrio poder: propriedade sobre mulher e crianças

O mito da mulher vingativa que enlouqueceu após o término do relacionamento por não conseguir imaginar uma vida sem um homem parece uma piada de mal gosto quando dados concretos sobre violência doméstica e feminicídio são analisados. Homens é que “perdem a cabeça” e assassinam mulheres pelo horror de disponibilizar a elas um dinheiro que será gasto com as crianças, como no caso do goleiro Bruno. Eu mesma, nos autos do processo de pensão em que represento os direitos do meu filho, fui acusada de tentativa de enriquecimento ilícito, ao passo que no processo de visitas, fui acusada de impedir que o pai visse a criança quando era eu quem atravessava o estado até o Rio de Janeiro sozinha com bebê nos braços para cuidar de um vínculo que o genitor era quem deveria estar cuidando. Fui acusada também, lá, nos autos do processo, de não ter me conformado com o final do relacionamento sendo que eu terminei o relacionamento por causa de violência psicológica. A separação foi, certamente, a decisão mais acertada que já tomei em toda a minha vida. Se atualmente tenho uma cabeça saudável e meu filho apresenta um desenvolvimento linguístico, cognitivo e motor ótimos para a idade, sei que isso só foi possível por ter priorizado a escolha por um ambiente de equilíbrio emocional, longe das violências que, direcionadas a mim, acabariam refletindo na educação do meu filho.

São diversos os estereótipos usados, inclusive institucionalmente, para descredibilizar mulheres:

  • Louca/Histérica (acesse a base do discurso de uma palestra que ministrei na UFABC sobre a relação entre o estereótipo da mulher louca e a cultura do estupro)
  • Invejosa (quem lembra das teorias sobre a Inveja do Pênis, herdadas de Freud, outro psiquiatra misógino?)
  • Fraca
  • Vingativa
  • Mentirosa
  • Ardilosa
  • Traiçoeira
  • Vulgar

Você, mulher, já sofreu com algum dos estereótipos citados acima? Se sim, quais? Quais outros estereótipos você acha que deveriam entrar pra lista? Use os comentários para deixar a sua opinião 😉

Anúncios

3 Respostas para “O mito da Alienação Parental”

  1. Laura

    Excelente texto….. fui chamada de louca de invejosa e fraca nem sei se da para quantificar. Fui agredida física moral e psicologicamente pelo ex. Meus filhos tbm…. e ainda por cima depois de tremenda agressão e VIOLENCIA contra a gente sou obrigada a brigar na justiça e me defender de ataques no mesmo segmento que vivia antes. .. com o adendo de que quem foi vítima e é, é esse indivíduo, se auto diagnóstica de TDHA embora lauda de psiquiatra lhe diga que é bipolar. Que manipular psicólogos e psiquiatras para induzir a falsas alegações e fatos falsos, que chegou abusar de sua própria filha e com todos os estudos comprovando o abuso ainda sim, é defendido e protegido. Eu sou e meus filhos somos as vítimas não ele. Nos precisamos de toda proteção para que os nossos direitos sejam atendidos plenamente, esta na constituição 277, esta na lei Maria da Penha e está no ECA estatuto da criança e adolescente, e consta nos direitos humanos universais UNICEF, ONU, Comissão dos Direitos humanos, legislação brasileira e de qualquer país. Eu e meus filhos temos o direito de não desejar continuar sofrendo maus tratos e é dever da família garantir este cuidado. Esse indivíduo, cita Gardner a todo instante, falta apenas se ao declarar publicamente. Mesmo assim autoridades jurídicas ficam muito aquém a proteção de vítimas de violência, com exceção daquelas que chegam a morrer , submetidas a violência familiar e negligência jurídica, exemplos não nos faltam. Eu não quero isso pra mim e nem quero ver meus filhos chegar a tal ponto ou continuar a sofrer violência, seja física, moral e psicológica. Quem ama de verdade não deseja e nem prática violência alguma.

    Curtir

    Responder
  2. Nayla

    Olá, Natasha, tudo bem?

    Bom, sobre os adjetivos dos quais eu já fui chamada inclui todos esses e mais um pouco: puta, vadia, vagabunda, etc. Eu e minha mãe fomos acusadas de mentir e querer se vingar do meu pai quando fomos na delegacia fazer um B.O de violência doméstica (ele agrediu a minha mãe e eu), foram as experiências mais traumáticas da minha vida, tanto a agressão quanto as acusações.

    Eu fui diagnostica com TDAH, me chamou muita atenção o fato desse transtorno não existir, mas eu me acho muito inquieta e hiperativa (sério, eu costumo ficar correndo pra lá e pra cá do nada, isso é incontrolável), não sei o que eu posso ter, vou pesquisar mais a respeito, mas é muito bom saber como a “ciência” pode nos enganar para favorecer alguns poucos privilegiados.

    Adorei o seu blog ele é de utilidade pública,vou recomendá-lo a todas as mulheres que eu conheço, todas precisam saber que esse blog existe.

    Curtir

    Responder
  3. Thaís

    Sobre Déficit de Atenção

    O transtorno existe e pode ser observado em exames como o SPECT e outros que medem o funcionamento cerebral.

    Inclusive o tratamento por neurofeedback, por exemplo, pressupõe o diagnóstico de áreas com ondas fora do padrão para poder e treinar o cérebro, conscientemente, a produzir ondas dentro do padrão de melhor funcionamento.

    Há também um teste aplicado por psicólogos, caríssimo, e quanto mais insistem em desacreditar a existência do DDA , maior a resistência dos médicos (e empregadores e educadores) em acreditar no relato dos pacientes que não tenham recursos financeiros para pagar exames e testes.

    Escolas e faculdades resistem a medidas tão simples quanto disponibilizar uma sala separada para provas, extender o tempo, substituir exames escritos por orais.

    O DDA existe e não some em adultos. Só soma. Soma depressão, ansiedade, TOC, pânico… Inclui sintomas de depressão e ansiedade e os extrapola, expande se para muito além deles, recusa se a responder ao mesmo tratamento; intensifica-as e é intensificado por elas. Ansiolíticos e antidepressivos exacerbam o DDA, estimulantes exacerbam ansiedade e depressão, e assim o adulto deixado sem tratamento na infância vai entrando numa espiral descendente, onde nem a medicação é capaz de socorrer.

    Nós que temos DDA existimos, estamos aqui, somos nós que dizemos: ele existe.

    Para mim que tenho DDA e depressão, ver uma mulher que tanto admiro, que sou apaixonada pelos seus textos, que tem tanto conhecimento e informação, negar a existência do DDA, é tão doloroso quanto se negasse a existência da depressão.

    Só quem tem depressão compreende a experiência de ter depressão. Não há profissional ou exame que nos convença de que não há algo de errado, somos normais, se ao menos nos levantarmos para arrumar e limpar a casa vamos ver que era a bagunça que causava a depressão e não o contrário. Somos manipulados pela indústria farmacêutica ou preguiçosos demais para cumprir com as tarefas.

    Nossa bagunça, nosso cansaço, nossos atrasos, nossa procrastinação, não são preguiça e , no caso do DDA, não resolvem com antidepressivos. Mas em muitos casos melhoram com Metilfenidato. Nossa distração constante, dificuldade de levar tarefas até o fim, incapacidade de ouvir uma aula inteira, dificuldade de ler, de memorizar e aprender, de seguir instruções, de obedecer à família, de obedecer a si próprio, de conversar e se relacionar, nossa constante falta de disciplina e de compromisso, conosco e com quem amamos, não são falta de interesse, de motivação, de respeito.

    A queixa dos TDA/H e de suas famílias não é “agitação”. É rejeição e humilhações por parte dos colegas, crianças cada vez mais deprimidas e ansiosas, mais infantis, regredidas e imaturas. Crianças que ressentem porque não conseguem anotar as aulas, não conseguem fazer os deveres, que acreditam que são burras. Reprovações escolares. Abandono de cursos e faculdades. Abandono de projetos, de empregos, demissões, desemprego. Conflitos, solidão, divórcio, isolamento social. Fracasso pessoal, académico, social, profissional, amoroso, incapacidade de realizar suas próprias metas.

    Uma namorada pede apoio no grupo TDAH em rede social. “Larga ele enquanto é tempo, pior coisa casar com TDAH, depois vocês ainda vão ter filhos com TDAH.” foi a resposta. Ninguém contestou.. ninguém podia.. “Tem que ter muita paciência!”, “Aqui em casa é uma luta diária”, “só com muito amor, mesmo”, é o tom dos conselhos.

    De vez em quando aparecem relatos daqueles que se recusam a medicar porque a indústria farmacêutica isto e aquilo.. Aí descrevem como “superam” o transtorno, e qualquer um pode perceber que estão lutando diariamente, que não superaram porcaria nenhuma, que vivem num caos e que estão sofrendo. Comemoram o sucesso de se formar, mesmo levando muito mais tempo que toda a turma para ler e estudar. Boa sorte com esse diploma no mercado de trabalho, a menos que não exijam grandes habilidades interpessoais, concentração, pontualidade, controle emocional, não se incomodem que você seja lento, desastrado, desorganizado, que cometa erros óbvios com frequência, etc.

    Quando uma família procura ajuda para uma criança com TDAH, é frequente que um ou ambos genitores (e irmãos) tenha algum grau de TDAH também, e portanto haja muitos conflitos e caos familiares, que nada mais são do que reflexo da gravidade com que o transtorno afeta as relações pessoais/sociais. O transtorno causa os conflitos familiares, e pensar o contrário impede tratar, inclusive, o transtorno dos pais.

    O discurso de que o medicamento seda e zumbifica crianças “agitadas” (desde quando cocaína, anfetaminas, acalmam?), criativas e contestadoras, invisibiliza a realidade da criança infeliz e rejeitada pelas de sua própria idade. Crianças que crescem com a auto estima tão prejudicada, tão deprimidas e ansiosas, que muitos não são capazes de contestar nada. Crianças e adultos incapazes de aplicar sua criatividade de forma prática, de organizar o pensamento, de planejar, incapazes de terminar os projetos que começam, de seguir suas próprias metas e realizar os menores sonhos.

    O TDA/H do tipo hiperativo é o mais leve e adaptado, os tipos mais desatentos, como são a maioria das DDAs mulheres, costumam ser mais graves e são os mais subdiagnosticados. TDA/H não é “agitação” e o diagnóstico de mais meninos do que meninas só as prejudica, porque seguem sem tratamento, e carregam nos ombros a culpa por todos os comportamentos sintomáticos.

    Metilfenidato é um estimulante, causa agitação e ansiedade, agressividade. Como um medicamento que causa agressividade vai ser usado para reprimir uma geração de crianças contestadoras? (acusação frequente dos que negam a existência do Transtorno)
    Aumenta o controle motor , o auto controle, e a capacidade de ficar concentrado em uma tarefa até o fim, sem sair por aí, por isso melhora a hiperatividade.
    Ele não diminui a criatividade, ele ajuda a controlar o excesso de pensamentos desorganizados que dificultam o bom planejamento e a aplicação prática da criatividade.
    O aumento da dopamina pode causar a diminuição de serotonina, agravando quadros de depressão, deixando a criança amuada e sem vida, mas a família percebe e reclama logo. Confiem mais nas mães!! Elas não querem filhos apáticos, elas querem filhos felizes. E depressão é a mais comum das queixas dos DDAs sem tratamento, afinal.

    Durante o tempo de atuação do medicamento, como a dopamina causa sensação de saciedade, é comum não sentir necessidade de comer nem buscar prazer, e ter o cérebro bem solícito a cumprir com tarefas, sim. Isto é muito útil no horário de aulas , afinal de contas; e, principalmente, para quem não consegue cumprir metas, organizar, limpar e arrumar suas próprias coisas, terminar projetos, etc.

    O discurso de que TDA/H não existe é muito usado para culpabilizar as mães. É a indisciplina e não a agitação a queixa principal das escolas, e se não há transtorno, então a mãe pede remédios porque não sabe educar.

    Quem defende que o transtorno não existe, eu convido a participar de grupos de TDAH em redes sociais, quem lida com o transtorno 24hs nas mais diversas situações, o compreende muito melhor do que profissionais que ouvem pacientes por 40 minutos dentro de um consultório.

    Desafio a encontrarem lá mães que reclamem que a criança é “agitada” (apenas isso), e fiquem satisfeitas com uma criança muito quieta (amuada, deprimida).

    Curtir

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

HTML básico é permitido. Seu endereço de e-mail não será publicado.

Assine este feed de comentários via RSS

%d blogueiros gostam disto: