Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Antes de falar sobre gênero, falemos sobre sexo

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Com quase 3 anos, meu filho ainda chama menina de menino e menina de menino, moça de moço e moço de moça, ele de ela e ela de ele. Porque pra ele tanto faz, é só um fonema diferente que não significa absolutamente nada além do som que muda no final das palavras. É uma questão meramente linguística sobre a qual ele não está consciente porque não é cobrado sobre isso.

A única diferença que ele sabe que meninas têm de meninos é o sexo. Porque eu ensinei. Ensinei a partir das dúvidas dele, das perguntas dele sobre por que ele tem uma coisa no meio das pernas que é igual a do papai e a mamãe tem outra. Porque: bebês nascem de mulheres. Mulheres têm vulva com pelos e seios. Vagina, de onde os bebês saem. Por onde ele saiu. Ele ama ouvir a história de seu nascimento. Sabe que antes de sair da minha barriga ele era um feto. Ele já diz isso. Virou bebê depois que nasceu. Mulheres têm seios que produzem leite. Meninas têm vulva sem pelos. Homens têm pênis com pelos. Meninos têm pipi sem pelos. Simples, direto. Crianças não precisam de mais do que isso. Ah, já sabe e repete: adultos não podem mexer em suas partes íntimas se não for pra lavar. E se mexer é pra mandar tirar a mão e contar pra mamãe. Porque como ele mesmo diz: pipi é da criança! Não pode mexer. Só sozinho no quarto. O que ainda está em fase de aprendizado.

ENSINAR SOBRE SEXUALIDADE É ISSO.

Ele é uma criança livre e feliz. Antes de ser menino. Ser menino tem 0 importância na vida dele. Nenhuma. Ele nunca questiona isso. Porque simplesmente é criado para não diferenciar capacidades inatas e possibilidades lúdicas com foco no que tem no meio das pernas. Nunca ouviu que boneca é coisa de menina, nem que vestido é coisa de menina, muito menos que carrinho e ferramentas são coisas de menino. Gosta de usar vestido às vezes porque quando ele gira o vestido roda. E gosta de brincar com seu fogãozinho porque sabe que alimentar outra pessoa é um ato de generosidade. Quebra os ovos quando faço “melete”. Os mexe. Dá a comida na minha boca. Nina bichinhos de pelúcia. Dá mamá pra eles. Dá mamá pra mim. Mas sabe que não vai ter seios quando crescer. Porque seios crescem em mulheres. Mulheres têm vulva. Ele tem pipi.

Quando leio que crianças de UM ANO ANO MEIO e DOIS ANOS se mostram desconfortáveis com seu gênero, só consigo pensar em tudo o que estão ensinando pra elas. Estão desde cedo fazendo elas acreditarem que existem cores, brincadeiras e aptidões relacionadas ao sexo delas. Elas querem ser inteiras. Crianças inteiras. Quando o gênero as limita pela metade. E quando elas reivindicam a inteireza, a medicina lhes oferece um diagnóstico. Porque é muito mais cômodo pros pais, pras escolas e pra sociedade adequar a crianças aos padrões de gênero que são doentes e dizer que elas é que estão transtornadas do que admitir que o problema está nos papéis de gênero que os adultos do sexo masculino criaram com o objetivo de controlar o sistema reprodutor feminino e os corpos das crianças.

DEIXEM AS CRIANÇAS SEREM CRIANÇAS!

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