Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Vamos apoiar um canal de cultura lésbica?

O canal de cultura lésbica Dominio Pessoal vai ganhar um novo formato. Tudo para ficar cada vez mais próximo e acessível para lésbicas que ainda não saíram da gaveta, que pretendem sair um dia, que ainda não pensaram muito bem sobre isso, que já saíram faz tempo, que nunca estiveram lá dentro… enfim, é um canal necessário para a propagação de uma consciência lésbica para que lésbicas sejam visíveis uma para as outras ao mesmo tempo em que gritam a própria existência e cultura para a comunidade “LGBT” que se impõe como GGTT.

DominioPessoal

Lésbicas são a resistência, a cultura lésbica é resistência e contar com um canal de cultura lésbica é ajudar a proteger as nossas memórias e colocá-las fora do domínio dos homens. Ser lésbica é mais do que uma sexualidade divergente, é domínio do próprio corpo e pensamento fora do alcance do colonizador. Um canal lésbico é necessário para promover o encontro entre nós e registrar nossas histórias e pensamentos. 

O Dominio Pessoal já tem história e convida você a fazer parte dela

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Últimos dias para ajudar. Kicke já!

kicks

 

Tuty

 

Confira aqui uma entrevista exclusiva com as co-fundadoras do canal Dominio Pessoal

MILFWTF: Quem é a Nanda, na visão da Nanda?

Sou uma guria altamente ativista. Sempre busco entrar em papos polêmicos para entender o lado adverso e procurar amadurecer minhas próprias idéias. Amo buscar novos conhecimentos através da leitura e a partir desta ajudar quem necessita.

MILFWTF: Quem é a Tuty, na visão da Tuty?

Tenho dificuldades pra falar de mim… O que posso dizer é que sou uma mulher em constante aprendizado, que acredita seriamente na lei do eterno retorno. Uma mulher que luta pelo que acredita, sabe que não está sozinha e quer dizer a outras mulheres que elas também não estão.

MILFWTF: Agora vamos trocar um pouco a ordem. Quem é a Nanda na visão da Tuty?

A Nanda é uma das minas mais inteligentes e guerreiras que conheci. Alguém que corre atrás dos seus sonhos, e que mesmo que o mundo diz não, ela sempre achará uma forma de encontrar o seu sim. Uma amiga, um achado, alguém com quem me orgulho em trabalhar junto.

MILFWTF: E quem é a Tuty na visão da Nanda?

Inteligente, Feminista e ativista assídua. Não só uma parceira do DoMiNiO PeSsOaL , bem como,  uma amiga que sempre vou querer ao meu lado.

MILFWTF: Sobre a experiência da Nanda de lidar com a lesbofobia e misoginia no meio GBT, eu gostaria de saber: como foi o processo de descoberta de que o movimento gay não se preocupa com as demandas das mulheres lésbicas e nem em nos dar espaço para que possamos falar delas e lutar pelos nossos direitos?

 No inicio fiquei muito triste – ainda mais considerando que sou super sensível – Na época me lembro de ter me revoltado com o próprio mundo lésbico porque o problema não era somente ter sido ‘’rejeitada’’ sem justo motivo e sim ter percebido que a maioria dos espaços busca a promoção pessoal de quem o criou! Percebi que as meninas não queriam somente ajudar na ‘’humildade’’ mas se popularizar e se tornar um ícone apenas por ‘’vaidade’’… Depois de um bom tempo de reclusão e de vários ‘’não’’ de espaços altamente reconhecidos e que se demonstram prol irmandade lésbica decidi criar um espaço justamente para ser diferente da maioria desses.

Foi graças a esse processo pelo qual passei que o DoMiNiO PeSsOaL nasceu, desde o inicio, democraticamente. Decidi que todas as mulheres que se considerassem homossexuais poderiam contribuir para o espaço desde que de fato abraçasse a causa e se comportasse de forma impessoal na escrita, ou seja, nada de promoção pessoal. Afinal, o espaço é para ajudar e não para se candidatar à presidência do movimento GLBT apenas por vaidade.

MILFWTF: Tuty, conte- nos a história do Canal Sapatilha da idealização até o momento em que as coisas começaram a desandar?

 Me assumi lésbica em uma cidade pequena, em que lésbicas pareciam viver escondidas em cavernas, pois eu realmente não as encontrava e, quando via alguma, era algo tão inédito, tão raro, que meu primeiro impulso sempre era o de firmar amizade. Com o tempo fui descobrindo que o problema não era que elas eram raras, mas sim, que ser visivelmente lésbica era perigoso. Então fui convivendo em guetos lésbicos, com internet discada, bate papo UOL, nenhuma amiga para me aconselhar, nenhum referencial lésbico, nenhuma informação sobre saúde, etc.

Fui percebendo que não ter referencial era um problema grave, porque assim como eu me senti perdida várias vezes, por me sentir só em um mundo que o padrão era diferente do que eu realmente era, poderiam ter milhares de garotas com as mesmas necessidades. Então num belo dia resolvi gravar um vídeo e postar em minhas redes sociais. Para minha surpresa o vídeo, mesmo com qualidade ruim, e minha nítida falta de experiência diante da câmera, não foram impeditivos para que várias meninas visualizassem e deixassem comentários.

A demanda dos comentários era enorme, e eu mal conseguia ler e responder todos, foi então que criei um email para poder ajudar as minas que pediam conselhos, e também um grupo no facebook. E tudo começou a rui a partir do grupo do face,porque o Sapatilha começou a ficar pop,e as meninas que ali estavam,só queriam saber de pegação,não existia um interesse sequer de desconstruir. Sem falar na reprodução da misoginia intrínseca ao movimento GGGT, racismo, classicismo…

MILFWTF: Ainda para a Tuty: você disse ter vivenciado a experiência de ter criado um canal lésbico que, infelizmente, se tornou num espaço de reprodução de misoginia, racismo e elitismo ao mesmo tempo em que você se descobria feminista e se afirmava como mulher, lésbica e negra. Foi traumático para você vivenciar essa tensão¿ O que você aprendeu com tudo isso¿

 Foi muito traumático, porque eu realmente amava aquele espaço, eu o considerava seguro, e queria que fosse seguro para outras meninas, mas isso se tornou impossível se você fosse gorda, negra, deficiente, ou seja, se você estivesse dentro dos padrões. O que era um paradigma, afinal eu não estava nos padrões. Isso foi me adoecendo, porque eu não sabia como conscientizar estas meninas, eu não tinha maturidade o suficiente para dizer que elas estavam erradas, eu queria ser legal. Mas eu estava entrando em uma outra esfera do movimento negro e do feminismo,ser liberal e boazinha não me libertava,não libertava ninguém na verdade,e eu percebi que eu estava fazendo as coisas da maneira errada,e que precisava aprender muito mais.Eu me dei conta da responsabilidade que era se tornar um referencial para minas lésbicas. Me dei conta de que tinha muito a aprender se quisesse de fato fazer que isto desse certo.

MILFWTF: O que significa, para você, Tuty, “ter nascido para se comunicar”?

Quando eu digo que nasci para me comunicar, eu tenho como referencial a minha vontade de passar para frente tudo o que aprendo tudo o que me liberta. Sabe aquela história de “empodere duas mulheres”, pois é, eu tenho essa necessidade de falar com essas mulheres e dizer: olha, nesse caminho aqui tem saída, por aqui você pode achar seu lugar ao sol.

Sempre tive essa necessidade de dialogar, porque através do diálogo a gente conhece tanto das pessoas, a gente aprende e cresce tanto. Se tem uma coisa para qual eu não nasci foi pra ficar em silêncio, o silêncio nos envenena, então a solução é me comunicar.

MILFWTF: Você disse que várias meninas novas em processo de descoberta da própria lesbianidade chegaram até você via Canal Sapatilha. Alguma história em especial que tenha ficado na sua memória?

 Na verdade não teve uma história em especial que me chamou atenção, até porque as histórias eram sempre muito parecidas, mas existia um padrão de história que mexia e ainda mexe comigo. Porque através delas eu via o mal que essa sociedade heterocentrada faz a essas meninas.

Muitas meninas pediam conselhos sobre como contar para seus pais que são lésbicas, elas temiam ser maltradas, expulsas de casa, medo de apanhar, de morrer… E sabe, não era um medo infundado, porque a maioria desses pais desconfiavam da sexualidade dessas meninas, e sempre faziam ameaças do tipo. Daí eu fico pensando, que tipo de pais são estes que matariam a própria filha porque ela ama mulheres? Como que as pessoas têm coragem de dizer que elas fazem parte de uma diversidade, se a preocupação de todos os dias é sobreviver sob ameaças constantes tentando esconder quem realmente são? Cada vez que leio histórias do tipo, por mais que sejam repetitivas (e isso me assusta ainda mais), eu fico pensando que mundo é este.” Tudo está ao contrario e ninguém reparou”.

10- Há quanto tempo o Dominio Pessoal está no ar?

03 Anos

11- Por que o nome “Dominio Pessoal”?

 Quando o espaço foi idealizado pensei nas várias meninas que deixam de acessar determinado espaço por o nome ser super ‘’sapatão’’ assim pensei em um nome discreto a fim de ajudar as garotas que ainda se encontram no armário.

Mas só isso não bastava… Tinha que ser um nome e ao mesmo tempo um símbolo de representatividade para quem o acessasse. Foi ai que me veio à cabeça –  após inúmeros dias pensando sobre- denominá-lo de DoMiNiO PeSsOaL.

A justificativa é que não basta ser lésbica, na atual sociedade é preciso além de ser lésbica ter domínio de si mesma para resistir à frenética lesbofobia que persiste não só no nosso país, mas em todo planeta.

Todas passamos por altos e baixos na vida, mas nunca perdemos o domínio de nós mesmas, nunca deixamos de ser quem somos porque o que somos é intrínseco em nossa biologia, por isso nome do espaço esta escrito em letras maiúsculas e minúsculas e ao final, como se pode vê – DoMiNiO PeSsOaL –  sempre nos reerguemos.

12- Vocês têm parcerias com outras blogueiras lésbicas?

Como foi dito anteriormente o espaço foi concebido justamente para ser diferente da maioria, no entanto, poucos são os que pensam dessa forma. Muitas meninas recusam convites de parceria porque, no curto e grosso, não querem dividir ‘’leitoras’’, ou sejam: privatizam o espaço ou apenas faz parceria quando for ‘’lucrável’’ no que se refere à popularizar o próprio. Outras enviam o convite e depois que aceitamos e a ajudamos, param de responder e-mails, etc.

Devido a isso apenas 2 espaços, de fato, estão sendo parceiros do DoMiNiO PeSsOaL:

1- O canal sapatilha, que tecnicamente se juntou ao DoMiNiO PeSsOaL;

2- Rede social Chatgls.com, que é um espaço de bate papo GLS que nos procurou a fim de firmar a parceria reconhecendo o nosso trabalho, sendo a recíproca verdadeira.

Além destes, estamos socializando com outra mulheres que também possuem blog e/ou espaço com foco no público lésbico, sempre sob a premissa de que juntas somos mais fortes.

13- Como você acha possível resolvermos as questões das desigualdades sociais dentro do meio lésbico? Aliás, melhor perguntar: você tem a esperança de que as coisas mudem ou prefere não criar muitas expectativas para não se decepcionar?

Graças à pandora a esperança não morre… Gostaria muito que as meninas percebessem que ajudar à próxima de forma direta ou não é uma causa maior do que se popularizar ou ganhar dinheiro com marketing, dinheiro este que deveria ser investido no próprio espaço para melhorá-lo ou em causas sociais voltadas ao próprio publico lésbico…

Muitas garotas criam canais no youtube ou espaços de escrita, mas não se preocupam com a qualidade das mesmas, ou seja: não pesquisam sobre o assunto, não buscam atender as leitoras ou se quer abrem espaços para outras escritoras. Redigem textos sempre e apenas com base no seu ponto de vista… No achismo pessoal… Ou na mesmice de temas…

Crio expectativas para que isso mude porque diversas meninas necessitam que isso mude para que o seu próprio ponto de vista sobre a comunidade LGBT mude. Meninas como um dia eu fui necessitam de ter alguém com quem possa desabafar pedir ajuda, tirar dúvidas sobre algo, rir, contribuir, ou seja: se sentir pertencente a uma família no exato momento da vida em que a própria família de ‘’sangue’’ lhe vira as costas…

 

Eu não tenho cartão de crédito e kikei via boleto bancário. É facinho. Clique na imagem abaixo para escolher o valor da sua contribuição e faça parte dessa história!

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