Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Carta aberta à Renata Corrêa

Esta carta, antes de mais nada, é uma estratégia de defesa das minhas memórias e obras. Renata me acusou de ser uma conhecida perseguidora e caluniadora de mulheres de destaque na rede. Ela me queimou em sua pracinha particular, diante de seu networking, sendo que ambas somos escritoras e ela não precisava ter feito isso. Quero que ela venha a público me contar quem eu caluniei e persegui e por que sou tão conhecida neste ramo, já que no twitter me bloqueou (como fez a Marcia Tiburi) e nem responde minhas mensagens privadas no facebook.

Renata Corrêa caluniando a autora do MILF WTF

renata

Resumindo: a minha Carta Aberta à Marjorie Rodrigues foi muito diplomática. Eu critiquei um posicionamento político da Marjorie e não a pessoa Marjorie. Um posicionamento político que é arriscado para meninas vítimas de poedofilia, já que a naturaliza. Renata quis defendê-la das garras desta lésbica malvada e para isso não poupou esforços e nem deixou de lado as velhas táticas do marketing baixo de guerrilha, rs.

Renata escreveu sobre como é ser uma escritora no mundo dos homens. Abaixo, minha carta aberta em resposta, que na verdade já chegou até ela via comentário que deixei no texto Ser escritora e ser mulher:

Poxa, que legal, Renata, que você está refletindo sobre o tanto que mulheres ainda vivem sendo exploradas pelos homens, especialmente os brancos, não é mesmo? Pois é. Você realmente não fez recorte nenhum no seu texto e ainda por cima associou branco à beleza ao mencionar o filho de um casal que visitou, o que, para uma escritora comprometida com mudanças sociais é bem esquisitinho. A menos que você não seja comprometida. Mas seria bacana da sua parte admitir isso porque aí as que são comprometidas não precisariam ser atacadas quando apontam as suas gafes como você fez comigo. Que legal, linda, que ser uma roteirista te fez circular nos bairros ricos e descolados de São Paulo, nossa, uau. Parabéns. A história que você tem pra contar, da sua vida, da vida ao redor de você, me parece ter tido um olhar bem privilegiado. Você parece ter muito orgulho desse seu privilégio. Você sabe o nome desse privilégio, não é, Renata? Acho que deu pra entender. Não preciso ficar falando. Eu gostaria de saber, Renata, como você usa seus privilégios quando se trata de uma escritora de menos “prestígio” que questiona uma atitude sua que considera politicamente equivocada?

Quando essa escritora que te questiona é uma poeta lésbica, Renata, você deveria ter ao menos um pouco de ética, não deveria pisar em sua garganta para fazê-la parar de falar. Principalmente se ela luta contra a pedofilia. Não basta botar uma frase no meio de um texto cool para lutar contra a pedofilia. É preciso sair da matrix que afirma que “nem todo homem” é pedófilo sendo que os dados do IPEA sobre abuso sexual infantil são alarmantes. Parece-me que você não nota o tamanho do problema. Ou pior: até nota, mas em vez de amplificar a voz de uma mãe lésbica engajada no assunto, não: passa a chamá-la difamadora e caluniadora de mulheres por ter se posicionado mui respeitosamente um uma Carta Aberta para a Marjorie sobre o perigo de se falar superficialmente sobre pedofilia e abuso sexual infantil.

Eu te pergunto, Renata: está confortável para você ser uma escritora? Pois pra mim, não está. Você é parte das mãos que me apertam o pescoço. Só que quem aperta o meu pescoço não tem ideia de quantas mãos eu já tirei de lá com a minha capacidade de gritar. Só narrando a verdade. Então não adianta, Renata, você escrever um texto que poderia ser em minha defesa como escritora mas nunca será, porque nós não somos iguais e você se aproveita das diferenças que existem entre nós para evitar que mulheres me leiam. Como você ousa, Renata, chamar a mim de conhecida perseguidora e caluniadora de mulheres? Você me acusou e me julgou diante do teu tablado particular que é o teu networking e isso é extremamente sério e antiprofissional porque afeta diretamente a minha reputação. Não que eu esteja preocupada com o que dizem e sim porque eu sei que tenho direito de zelar por ela. Você me acusou de ser uma conhecida perseguidora e caluniadora de mulheres com base em quê?

Já que você me bloqueou no twitter e nem respondeu as minhas tentativas de conversa por inbox, cá estou eu para que possamos resolver essas questões políticas. Pois evitar que uma mulher seja lida só porque ela coloca o dedo nas nossas feridinhas é perverso. E eu já estou bem cansada dessa comercialização das potências linguísticas. Se o seu sucesso vem antes da dignidade de outras mulheres que escrevem, cabe a mim, poeta, tentar equilibrar linguisticamente a tessitura da realidade por meio das minhas linhas narrativas. Então faça o favor de respeitar as lésbicas. Aquele teu filtro de apoio à visibilidade lésbica não faz o menor sentido quando você colabora ativamente com a invisibilidade de qualquer uma de nós, mulheres lésbicas. Pense nisso.

epitáfio

Quando eu morrer, por favor, desenhem uma labrys no meu caixão.

 

 

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