Permito-me responder afirmativamente à sua questão inicial: SIM, você escreve para mim também! O seu “machado” continua a abrir fendas iluminadoras de compreensão de uma realidade que a cultura patriarcal e falocêntrica insiste em manter oculta nas trevas da dominação mutiladora de uma faceta fundamental da nossa humanidade…
Tenho encontrado em seus textos ressonância às minhas angústias, que me acompanham desde a adolescência nos anos 70, quando comecei a enfrentar essa cultura, ao me recusar a exercer o “poder” que a minha condição masculina e heterossexual queria me conferir e, mais que isso, a me insurgir contra o seu exercício por parte de meu pai, de meus chefes, de meus colegas de escola e trabalho… A duras penas, fui compreendendo que a tarefa de desconstruir essa visão de mundo e estabelecer novas bases de relacionamento entre homens e mulheres não poderia ser empreendida a não ser sob a condução destas, ou seja, a superação da opressão só será efetiva se conduzida pelo oprimido… Eu – assim como outros, infelizmente poucos com plena consciência dessa condição – era apenas uma vítima colateral, a quem cabe um papel coadjuvante nessa empreitada específica. Posso ser protagonista em outros campos de luta, não neste. Aqui me cabe apoiar. E é o que ofereço.

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