Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

O coro da cura

Não me obrigue a ser aliada de macho na luta contra o estupro. Não venha querer me dizer que o teu macho é diferente, que está aprendendo, que quer se desconstruir. Machos são machistas, inclusive repare na raiz das palavras “machos, machistas e machucados”. Você, hétera convicta, crê no mito do cara especial que vai te amar e respeitar pro resto da sua vida. Até aí a escolha (falta de, sejamos honestas) é tua, mas com base em que tipos de sentimentos você elegeu o cara como especial? Porque ele abriu a porta do carro nos primeiros encontros, mandou flores depois de ter forçado sexo, porque ele sabe se redimir? Nunca vi nenhum macho realmente arrependido de ter cometido violência doméstica ou estupro e olha que eu convivi com muitos desses homens na minha família, inclusive fui assediada por um deles. Não me faça voltar meus passos ao tempo em que homens, aqueles que, estatisticamente, são o sujeito dos estupros na sociedade, transitavam pelos mesmos espaços políticos que eu. Não me faça voltar ao tempo em que homens ditavam sem o meu contra-ataque como seria a minha vida, não me obrigue a dividir espaços políticos com eles porque machos são machos e eles machucam, eles ameaçam mulher de estupro em plena Câmara. Eu quero passar com o que eu tenho a falar sem você me impondo a obrigação que os homens te impuseram e você jura que as tuas obrigações têm de ser minhas também. “Seja dócil, seja paciente, calma” até começar o “quanta agressividade, que mina louca, precisa de um psicólogo”.
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A sexualidade das lésbicas sempre foi estudada, dissecada, psicologizada, a história conta que nós fomos fetichizadas, tornadas em objeto, tornadas em cobaias de estudos patriarcais, que fomos retiradas do convívio social e marginalizadas em manicômios ao lado de mulheres prostituídas e mães solteiras. Isso quer dizer que você, ao dizer que sou “doente de ódio” por homens, está batendo palmas para um coro social já existente: o coro da cura lésbica. O coro da cura!

É mesmo desse lado que você quer estar?

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10 Respostas para “O coro da cura”

  1. flor de agosto

    Minha cara, eu não tenho esse ódio de macho, não. Até porquê existem machos e machos e fêmeas e fêmeas. Sim, eu sou bastante contaminada pela raiva que já senti pelo comportamento machista de muitos, a começar pelo meu pai e acho, de verdade, que todos os homens, pelo menos do Brasil, são influenciados por um machismo atávico eeforçado diariamente pelo aval social, mainstream e endossado por muitas mulheres. Porque há mulheres e mulheres. Não gosto da ideia de invalidar a minha capacidade de pensar e de me mobilizar simplesmente porque discordo de você nisso. Não posso ver homens como inimigos, não posso generalizar, assim como posso detestar que uma mulher xingue outra de vadia e, mais ainda, que a causa lésbica me diminua por minha pulsão não lésbica. Sim, eu tenho tesão por homens e simpatia por muitos e já amei outros e já me desapontei com alguns e já vi muita mulher horrível enquanto exemplar de gente. Não curto esse papo de incitar ao ódio. Não vou ganhar meu espaço assim. Na resistência, sim. Na luta. No não fazer concessões. Mas não na generalizaçao que vai nos chapando e nos igualando aos insensíveis que recebem do machismo o ok para serem horrorosos. Endureço, perco até a ternura, mas não posso ir no ódio. Novos meninos chegam e chegão. Não quero que eles encontrem mulheres que os odeiem e não os ensinem’com amor a amar ao próximo independente de gênero. Gosto de te ler, aprendo e amplio, mas quero continuar sendo uma mulher que ama. Independente do gênero. Abraço!

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    • milfwtf

      Minha cara, estatística não é generalização: são dados reais de estupro, violência doméstica, feminicídio, guerras, abuso sexual infantil e todos esses crimes são cometidos, ESTATISTICAMENTE, por homens.

      Além do mais, não estou obrigando ninguém a odiar homens, apenas pedindo respeito pelas lésbicas que não querem dividir espaço político com eles. Mas se você prefere ele às lésbicas em nossa própria luta, que bom que na luta do dia a dia nós não nos cruzamos.

      🙂

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    • milfwtf

      Ah, e você não entendeu nada do texto, ou é apenas mais uma lesbofóbica insensível mesmo. Pouco te importa que essa coisa que vocês héteras e bissexuais chamam de “odiar homens” seja na verdade um “não os queremos por perto pois somos lésbicas”, pouco te importa que essa coisa de chamar nossa lesbianidade de “ódio de homem” seja o mesmo discurso que colocou tantas lésbicas em manicômios (porque óbvio que negar estar perto de homem só pode ser loucura) ou nos queimou nas fogueiras da inquisição. Só o que importa mesmo é falar dos machos que você amou, eu não tô mesmo afim de saber de heterice.

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  2. rebeccacristina13

    Me desculpe a ignorância, mas não entendo o pq desse ódio todo.
    Se vc é lésbica, é um direito seu; da mesma maneira que eu ser hétero é um direito meu.
    Veja bem, nao vim aqui só para ‘causar’, por favor entenda, só gostaria de saber o pq de tanto ódio.

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  3. lica

    Prezada autora, parece queseu texto está transmitindo uma visão sua como de ódio (também entendi assim). Se não é esse o objetivo, sugiro tentar modificar sua forma de comunicação, talvez explicar melhor algumas premissas que você usa para afirmar determinadas coisas… Comunicação eficaz é uma via de mão dupla, você precisa comunicar sua mensagem e o ouvinte precisa entendê-la. Se estatisticamente seus leitores te compreendem erroneamente, é provável que a causa seja sua forma de escrever. Ademais, suas duas respostas anteriores transmitiram igualmente ódio e mágoa, além de um sentimento de perseguição, que não achei que houve. A primeira comentarista foi respeitosa e até solidária, e você respondeu com xingamento… ‘lesbofóbica insensível’ e etc. Se pouco importasse para ela a opressão de lésbicas na sociedade, ela não estaria aqui lendo seu blog, propondo uma conversa… creio que seria mais produtivo explicar pra ela ‘como esse discurso de ódio aos homens colocou mulheres no manicômio’. Que tal presumir que somos ignorantes, ao invés de presumir que somos indiferentes ao problema e com má vontade em entendê-la… Imagino que vocês devam ser muito perseguidas e dizer que você demonstra uma ‘mania de perseguição’ seja bastante ofensivo, mas não encontro outras palavras…. o que quero dizer é que nem todos são inimigos, tente manter essa sanidade na sua luta… Desejo tudo de bom pra ti. Fique em paz.

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  4. Henrique Mafra

    Em primeiro lugar, quero deixar bem claro: respeito (e sinceramente admiro sua coragem de fazê-lo…) a demarcação dos limites do seu campo de luta. Julgo imprescindível, para o bem da humanidade, que sua voz soe límpida e clara como representante legítima de uma de suas múltiplas facetas e que se expresse sem pejo, mesmo recorrendo à agressão verbal, ao assumir sua rejeição ao compartilhamento de suas trincheiras com outros e outras que não compartilhem igualmente de sua condição e identidade social.
    Luto também em meu próprio campo (o das pessoas – homens e mulheres – que se insurgem contra a injustiça e o preconceito) e combato, dentro e fora dele, o machismo e todos (repito: todos) os seus derivados, como a cultura patriarcal, a “naturalidade” da supremacia masculina, o “direito” ao desfrute do prazer proporcionado pelo corpo de outrem independente da vontade e condição de decidir deste, etc, etc…
    Não me reconheço, portanto, apesar de ser homem e hetero, na condição de seu inimigo, sequer adversário. Mas compreendo perfeitamente que você o faça, pelas razões “estatísticas” referidas no post e nas suas respostas aos comentários.
    Peço-lhe, tão somente, aceitar-me como interlocutor respeitoso e atento num diálogo de combatentes em trincheiras distintas mas, digamos, vizinhas e que têm vários pontos comuns nos horizontes de luta.
    É isso.
    (P.S.: Apesar de desejá-lo, não lhe mando um abraço, pelo risco de ser interpretado como desrespeito. Ofereço-lhe, simbolicamente, um vigoroso aperto de mãos.)

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  5. IGN

    hum,vejamos…quando um cara é misógino,se diz que ele é “fruto da sociedade” ou “do seu tempo” como esses grandes “gênios” da História..mas quando uma mulher sente ódio pelos homens,(com toda razão e nem precisa de nenhuma estatística para se ver isso,basta enumerarmos nossas próprias vivências),ela é louca e merece pedrada?? Ninguém tenta entendê-la como se faz com os homens?

    Estou cansada de ver inúmeras justificativas para a misoginia,até trabalhos acadêmicos,e esperam que todas nós mulheres aceitemos tudo com um belo sorriso na cara e acolhimento aos nosso algoses?

    Essas fulaninhas defendendo machos,se fazendo de ofendidas,não entendendo nada,dá vontade de rir;essa mesma dissimulação os machos poderão usar contra elas( e provavelmente vão).Ai vai ser aquele lance “que mina louca,só tem ódio no coração”.

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  6. Sarah

    Nojo desses lesbofóbicos que vem comentar aqui. Se fosse um macho gay falando assim das mulheres, todos iriam entender, dizer que ele fala isso porque não gosta de mulher e é um “direito” dele.

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