Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Não há “status” real na maternidade

Antes de se tornarem mães, as mulheres romantizam a maternidade: é o que aprendem com a socialização para o cuidado, que encontrarão um “algo mais” (seria a liberdade?) a partir da maternidade. É ensinado às meninas que existe um privilégio em em ser mãe, afinal mães mandam, têm poder, ao menos sobre elas. Algumas também têm a plena certeza de que mães não podem tanto assim, se pudessem não estariam em um relacionamento tão abusivo com seus pais ou padrastos.

Enfim, o Privilégio da Maternidade é ensinado, daí a maternidade compulsória. A Maternidade Compulsória vem da expectativa de “status” que a garota acha que teria a partir do momento em que se tornasse mãe. As meninas acham que se tornam “mais mulheres” com a maternidade. Acham que podem atingir a condição de Sujeito da qual sempre foram privadas desde o início do Patriarcado, cuja Bíblia Cristã é a grande prova material de sua existência como base de uma moral compartilhada (por imposição) por muitos povos. Prova-se o que eu digo com a existência deste livro, pois enquanto esse livro existe os livros das mulheres são impedidos de serem escritos, e se são escritos são queimados, literalmente, assim como os corpos das mulheres, também literalmente. Os autores da Bíblia Cristã chamam-se a si mesmos e uns aos outros de patriarcas, essa grande fraternidade branca que pretende governar o mundo, que já governa hoje, aliás, sejamos francas.

Foram Os Patriarcas que colocaram as suas castas mulheres como aquelas fiéis ao Senhor, aquelas que não foram tocadas por pênis, as virgens do Senhor, os mesmos Patriarcas que colocaram as mulheres após a gravidez (maior acontecimento na vida de uma mulher de acordo com eles) como santificadas com a missão de prover sozinha a educação do Filho do Patriarca ou do segundo sexo.

Eis o privilégio da maternidade.

Os cuidados com a cria como obrigatoriamente solitários, educação para a igualdade de responsabilidade inteiramente da pessoa que pariu (seja mulher ou homem trans), isolamento social, calúnias, difamações, “inveja branca”. Os cuidados com o mundo como obrigatoriamente exploratório. Cuidar dos filhos alheios enquanto não se pode – se é impedida pela exploração – cuidar das próprias filhas e filhos, O Maior Terror do Mundo.

Que entendam a minha ironia perfurocortante.

Desculpem-me a falta de modéstia (mentira, não lhes devo desculpas porque culpa tem quem peca e pecado não existe).

Portanto, se você aí achava até hoje que maternidade dá “status”, então está na hora de rever seu pensamento, pois a raiz daquilo que você chama de opinião é uma resposta repleta de ódio à tua potência de decidir quem vive e quem morre, se a humanidade acaba ou continua.

A potência é algemada pelo poder.

E a língua é o meu machado de cortar falocentrismo.

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