Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Carta Aberta ao Eduardo Sterzi

Chamo qualquer esquerdomacho professor de literatura pra falar comigo sobre a literatura das mulheres, sobre como elas chegaram a ser produzidas, sobre quais foram usurpadas de suas identidades por seus “companheiros”, sobre quantas foram impedidas de escrever, de publicar, quantas tiveram suas ideias roubadas por homens em quem confiavam, sobre quantas não aguentaram a pressão e preferiram a morte. Chamo qualquer esquerdomacho professor de literatura que ouse tentar calar a voz de uma mulher com as mesmas palavras que um marido que comete violência doméstica usa. Vadia? Um homem “tão culto” chamando uma mulher de vadia? Misoginia não tem classe social, realmente. Quero dizer, nas classes sociais  mais abastadas há um refinamento que pretende camuflá-la com fins de manutenção de status quo.

 

Mas você não se deu o trabalho dessa vez.

vadias

Poliamoristas machos sendo poliamoristas machos. Se não estiver à disposição para um menagezinho, só pode ser vadia.

 

Chamo qualquer esquerdomacho professorzinho mequetrefe de literatura que se acha O Crítico de Literatura, mas não consegue criticar a posição das mulheres na Literatura. Não as considera, elas são O Objeto Abjeto a ser dominado e calado pelO Sujeito, o Sujeito do patriarcado, o Sujeito da Análise Literária, o Sujeito da Linguística. Conhece bem a História, professor, sabe bem que mulheres foram impedidas de ler e de escrever, que inclusive até hoje são neste país. Conhece, porém o cinismo impera absoluto para que o Reinado dos Homens da Academia continue em pé, pisoteando com a Psicanálise qualquer mulher que ouse deitar suas palavras nas páginas em branco a partir de seu ponto de vista. Histéricas, frágeis, instáveis, doentes, como se os transtornos também não tivessem sido provocados por um Sujeito. A Psicanálise de Freud, de Lacan, misóginos escrachados, em nada mais atingirá as novas escritoras. Eduardo Sterzi, a sua tática de achar nossas atitudes “psicanaliticamente compreensíveis” é mais velha do que as nossas tataravós bruxas. Não nos faz nem cócegas, pelo contrário: rimos da sua falta de criatividade, da sua repetição histórica do seu blablabla de homem branco oprimido por não poder mais cometer racismo sem ser apontado e misoginia sem receber resposta à altura.

 

1

 

2

 

Teremos vida própria, teremos análise própria, somos a Nova Escola Literária. Literatura Radical.

E faremos escolta às nossas, linchando politicamente – somos elegantes – quem ousar passar com seus tratores falocêntricos por cima de nós. É um direito histórico depois de dois milênios de silêncio. O respeito político à voz das mulheres seria a menor atitude ética que um homem da Academia – de qualquer área – deveria ter para com as mulheres, sejam elas escritoras ou não. Está na voz de quem tem sistema reprodutor capaz de gerar vida nova a poesia mais fresca e atual que pode ser feita, com teor de verdade, de denúncia, não esse lixo pós-moderno que beira o você-não-entendeu-porque-só-os-inteligentes-podem-ver.

autoria

 

A poesia da Literatura Radical será o cuspe na cara dos donos da Máquina do Mundo. Um cuspe na cara do poeta fingidor. Esquerdomachos da literatura vão topar com a cusparada coletiva das mulheres. Estamos preparadas, sangue vermelho quente subindo pelas veias do pescoço, vertendo de nossos ventres vivos.

Nossas assinaturas não serão mais assassinadas por vocês. O recado está dado.

Ass: neta da bruxa que teu avô não conseguiu queimar

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2 Respostas para “Carta Aberta ao Eduardo Sterzi”

  1. Erre C.

    Caramba! Eu já sabia que esse Sterzi era um chato de galochas e sem graça, com sua poesia quadradinha, cheia de academicismos sonolências e referências que apontam pro cabelo do saco do grande escritor polonês do séc. XVI. Chato muita gente é,a gente deixa o chato viver feliz, mas daí o chato virar um babaca? Não da, né, tem que falar mesmo.
    A quem quer que tenha escrito: bom texto a belo poema! Acompanharei o blog.

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