Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Estou farta das subjetividades

Sentimentos artificiais criados para me moldar a um tipo de comportamento que não me pareceria tão natural se este mundo não fosse Dos Grandes Senhores exploradores de Gaia.

Meus sentimentos originais nunca tiveram a liberdade de ser.

Eles controlaram meu modo de sentar, meu tom de voz, a mirada dos meus olhos.

Qual seria a lógica ficar falando dos sentimentos se quem verte (ou pior: não verte) água sãos meus olhos, as vísceras gelam, o corpo tremelica nervoso. Sentimentos? Eu quero falar do corpo. Das minhas secas, das minhas águas, da samambaia que mora entre minhas pernas. Meu vácuo particular, sequestrado pelo patriarca, reconquistado por mim mesma: a princesa sapa.

Os sentimentos foram inventados ao longo dos milênios pelo imperialismo da razão

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Não poderia estar mais certo. Nós, detentoras de útero, conhecemos outra. Agora cale-se. Não estou aqui pra te ouvir, só pra te tombar.

 

Mas a razão que criou o imperialismo não agiu de modo racional.

Agiu num impulso de morte, de extinção, de finitude.

O impulso foi animalizado, bruto, destrutivo. Necrofílico.

É sobre morte que eu quero falar.

A morte dos sentimentos artificiais. Culpa. Medo excessivo. Ansiedade. Amor, até.

Desejo nada mais do que a morte a todos esses sentimentos.

Tudo balela.

O que importa é o que manteve a humanidade viva. Não foram sentimentos, foram ações.

De geração em geração.

Ainda que aprisionada, acorrentada, territorializada. Fazendo de tudo para manter nutrida a cria. Sucumbindo por isso. Sempre tão sozinha e cansada.

Não desejo que minha mãe sinta culpas. Culpa Materna, a culpa original elevada ao quadrado, ao cubo, depende de quantas vezes pariu ou teve um bebê extraído de seu corpo. Culpa, um sentimento exponencialmente ramificado através dos corpos das mulheres ao longo da História Radical da Humanidade. A antítese da gênese. A Culpa é tudo o que eu não desejo para as mulheres, porque a Culpa é um sentimento inventado para perpetuar a dominação Dos Grandes Senhores. Desejo que minha mãe não seja colocada em ciladas pelos homens e que confie em si mesma para sair delas tão rápido quanto tome consciência daquilo que está ocorrendo em sua história pessoal. A história de minha mãe importa.

Por ela nem ódio, nem amor. Outra coisa.

O Sentimento Original. Biofílico.

Uma conexão física, uma história material, uma linha no espaço.

A letra e a palavra pela primeira vez sendo dita de um lado e ouvida de outro.

A recompensa puramente humana.

A lembrança viva.

A memória viva.

A verdade dita.

verdade

A verdade é objetividade. Como a Simone pôde se apaixonar por esse esquerdomacho poliamorista dos infernos que apagava a sua realidade material da história da maternidade? Heterossexualidade cega.

 

Corpo importa.

Materialidade importa.

O bumbo no peito importa.

Bumbo sonoro-umbilical. Vida aquática.

Corrente sanguínea.

História Radical.

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