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O Queer promove estupro corretivo de lésbicas

A expressão cotton ceilling significa teto de algodão, e foi cunhada pelo ativismo Queer para se referir às calcinhas de lésbicas que se negam a permitir o acesso de pênis em seus corpos, inclusive os pênis de pessoas trans. Antes de mais nada, é preciso que se saiba que uma das pautas silenciadas no “L”GBT (ou Queer, dá na mesma), é o estupro corretivo de lésbicas.

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É muito comum lésbicas serem estupradas, inclusive por familiares, para aprenderem a gostar de pênis. “Só é sapatão porque nenhum homem ainda a comeu como se deve”, frase comum que a maioria das lésbicas já ouviu. Mas não é só uma frase descolada da materialidade. É uma ameaça, um perigo real, sempre à espreita na vida das sapas, um perigo a mais, que héteras e bissexuais não têm a menor ideia do que é. Com o Queer, a possibilidade de estupro corretivo ganhou novas roupagens, mais complexas, camufladas, emocionalmente coercitivas, de uma coerção sutil, travestida (perdão pelo trocadilho) de problematização política. Agora além de terem suas pautas silenciadas dentro do “L”GBT, pautas importantes, é de estupro que estamos falando, lésbicas são coagidas, também dentro do “L”GBT e do feminismo – o que muito me assusta -, a desconstruir o fato de gostarem apenas de pessoas com buceta, como se toda a nossa luta para que a nossa sexualidade seja aceita já não fosse diariamente sufocante.

O que é ser lésbica, afinal?

Ativistas Queer adoram falar que identidade de gênero é diferente de sexualidade. Por outro lado, quando o assunto é lesbianidade, a coisa muda de figura. Tudo fica confuso. De repente pessoas trans podem ser… lésbicas. Mas o que é ser lésbica? Lésbica é uma orientação sexual. Trata-se de sexualidade, portanto, e não de identidade de gênero. Independe de identidade de gênero. Lésbica é a mulher que tem vagina que só se relaciona com outra mulher que tem vagina. Assim como gay é um homem que tem pênis que só se relaciona com outro homem que tem pênis. Assim como bissexuais se relacionam com os dois sexos. Quem se relaciona com dois sexos é bissexual. Quem se relaciona com um só, ou é hétero ou é homo. Gay é relação pênis + pênis. Lésbica é relação vulva + vulva. Por definição, é impossível ser lésbica e ter um pênis ou ser lésbica e se relacionar com pênis. Se uma pessoa se relaciona com duas genitálias, ela é bissexual. Sexualidade é sexualidade e identidade de gênero, identidade de gênero. Certo? Isso não é básico? Se uma pessoa trans quer se autoproclamar lésbica, bem, ela tem esse direito. Mas daí a querer, em discursos políticos “L”GBT, continuar silenciando as lésbicas que são mulheres materiais, invisibilizando a realidade dos estupros corretivos e reforçando a ideia de que lésbicas precisam desconstruir sua orientação SEXUAL para acabar com o problema social da marginalização de pessoas trans de relacionamentos sérios, aí é muita sacanagem. Então a marginalização dessas pessoas é mais importante do que o estupro corretivo ao qual nós, lésbicas, estamos sujeitas a qualquer momento? E o que é mais estranho: como pode ser que tudo o que as lésbicas tenham que fazer para ajudar as trans que são preteridas em relacionamentos seja exatamente aquilo contra o que lutamos e não somos ouvidas? Como pode ser que para pararmos de ser as “despolitizadas” ou “insensíveis”, nós tenhamos que reverter a nossa sexualidade com o intuito de consentir a entrada de pênis aos nossos corpos?

Lésbica não é somente uma preferência sexual

Ser lésbica vai muito além de preferir bucetas. Ser lésbica é também um ato político de rebeldia à heterossexualidade compulsória e ao falocentrismo. É como carregar no punho, no peito, na boca e na vagina o não que cada mulher estuprada não conseguiu dizer. É um não a todo e qualquer pênis. Não importa a identidade de gênero. Respeitem as lésbicas. Não é não! O resto é ESTUPRO.

Mas a socialização masculina sempre dá as caras

Não saber lidar com um não para uma investida sexual é socialização masculina. Não há salto alto, cabelo comprido, maquiagem ou vestido que esconda essa realidade. Cotton ceilling é a versão Queer, pós-moderna, reformulada, reconceituada, para friendzone.

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Se o problema dessas pessoas fosse realmente o fato de serem preteridas em relacionamentos sérios, então qual a explicação para o cunho sexual da expressão “teto de algodão”? Essa resposta eu vou deixar pra vocês.

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13 Respostas para “O Queer promove estupro corretivo de lésbicas”

    • milfwtf

      Ah, sim, lésbica apontando lesbofobia nunca tem razão, né? Sim, fortaleço meu discurso, mas na base da verdade que observo aqui do meu lugar de fala de mãe, periférica e lésbica. Está incomodade com meu fortalecimento? Morde o cotovelo, porque você ainda não viu nada.

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  1. Indianara

    Nossa muita transfobiavnesse texto.
    Outra que gay não é pênis+pênis e sim homem + homem (existem homens trans que se relacionam com homens cis).Lésbica = mulher +mulher e não vulva+vulva (e sim existem mulheres cis que se relacionam com mulheres trans).
    Se vc não gosta de pênis em um corpo masculino é uma coisa, se vc não gosta de pênis pouco importa em que corpo ele esteja é um direito seu.O que vc não tem o direito é de desqualificar a forma como as pessoas decidiram se relacionar independente de orientação sexual e identidade de gênero por conta de uma violência praticada contra mulheres lésbicas e que tem que ser combatida.
    Conheço amigas trans que não gostam de buceta, mas nem por isso são contra homens trans.Tenho amigas trans que não gostam de serem ativas, nem por isso deixam de ter amigos passivos. Conheço homens trans que se relacionam com outros homens trans e nesse caso , vulva com vulva vc classificaria de lesbicas?
    Eu tenhoconheci várias lesbicas que disseram que comigo iriam pra cama e eu expliquei que não curtia mulheres cis, mas não as eliminei de circulos de amizades nem fui lesbofobicas com elas.Tabem não gosto quando as trans dizem sobre as mulheres:”Buceta fede a bacalhau, podre, nojo de buceta etc .EEu sempre chamo a atenção. Teu texto tá carregado de acusações transfobicas contra trans.

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    • milfwtf

      Você me diz que tem transfobia no meu texto, eu digo que tem lesbofobia e misoginia no seu comentário. Lésbica não é mulher + mulher apenas, a lesbianidade é ORIENTAÇÃO SEXUAL, SEXUAL, SEXUAL, SEXO, SEXO, GENITÁLIA, como explicado no texto, não tem nada a ver com identidade de gênero. Vocês gostam de confundir as pessoas, se aproveitam do fato de que a maioria confunde orientação sexual com identidade de gênero e tentam apagar a importância do sistema reprodutor feminino e suas demandas próprias. SEXO HÉTERO ENGRAVIDA. Se um homem trans se relaciona com homen cis, quem pode engravidar quem, e quem vai ter que lidar com as transformações no corpo, as náuseas, a violência obstétrica, quem tem o privilégio de não ser obrigado a cuidar das crianças pro resto da vida? Pouco importa a identidade de gênero, a realidade material não pode ser e nunca será apagada pela identidade, as especificidades dos sexos biológicos não podem ser negadas em nenhuma circunstância. Eu, lésbica, me recuso a permitir que pessoas que não são lésbicas e nem nunca serão definam o que é lesbianidade, não sou eu que tenho que aprender aqui. De uma relação entre lésbicas não existe a possibilidade de engravidar, nunca vai existir, lésbicas não engravidam lésbicas. Machos engravidam fêmeas. O apagamento do sistema reprodutor feminino tem sua raiz na bíblia, a verdade biológica foi invertida para beneficiar o patriarcado. Vocês, que querem que as mulheres materiais neguem e odeiem suas bucetas não fazem nada além de perpetuar o discurso religioso de apagamento da biologia SEXUAL feminina, estas da qual vocês caçoam quando nos chamam de bucetistas, como se não fosse necessário que mulheres empoderem também as suas genitálias.

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  2. Delirium

    Engraçado que ‘mulheres trans’ sempre querem pessoas afab (nascidas com vagina) para se relacionar e sempre direcionam suas críticas à estas pessoas. Imagina se não existe aí um padrão, aquele padrão que o patriarcado sempre impôs? Não, mera coincidência! *ironia*
    “Transfeminismo” é um desserviço às mulheres! É tóxico! É apagamento!
    É abrir uma oportunidade pra macho nojento, fetichista e abusador! É o modo mais eficaz que os masculinistas já encontraram pra neutralizar todas as lutas das mulheres por direitos, voz e espaço.
    Não podemos aceitar que a segurança das mulheres esteja sujeita a um jogo de cara ou coroa.

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  3. Nara

    Eu so consigo pensar que, várias mulheres trans, nunca chegam a fazer a cirurgia pq são apegadas ao pênis (simbolismo) que muitas vezes nem funciona por causa do uso de hormonios, não querem fazer a transição total de sexo pq ainda de certa forma estão apegadas ao penis. Não a muito tempo atraz eu falei com uma mulher trans que estava se sentindo rejeitada pela quase-namorada lésbica dela por ter um pênis, e ela não se sentir atraída. Então eu disse pra ela: “Bom ela é um lésbica, o que ela está esperando é outra coisa. Além disso se você não quer se decepcionar com as pessoas, seja honesta e entenda que ninguem é obrigado a amar ou ser atraído por ninguém. Se você quer ser aceita de forma plena, não queira forçar ninguem porque nunca da certo”

    Ela ficou furiosa e apenas vário meses depois voltou a falar comigo até hoje pra ser sincera eu não entendi e ainda não entendo essa lógica de forçar as pessoas a te “amarem”

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    • milfwtf

      Que tristeza, a menina estava sendo coagida a transar e a gente não pode chamar isso de estupro porque senão “é transfobia”.

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      • narawoods

        Eu não tenho certeza se ela de fato queria transar com a menina lésbica (por que eu sei que nessa época a pessoa trans em questão estava fazendo tratamento com hormônios e supressores e provavelmente não seria capaz de ter uma ereção), mas eu sei que isso acontece e muito, talvez fosse a intenção dela no futuro. A grande questão é que essa mulher trans se proclama como mulher já, agora antes de passar pela cirurgia e quando ela falou pra ficante, ela meio que perdeu o interesse e depois terminaram o namoro. A Pessoa trans em questão acha que as pessoas não tem o direito de achar que ela não é uma mulher perfetamente equivalente as outras por ter um pênis (por que ela não pode ser culpabilizada de ter nascido no “corpo errado”, com essa parte eu até concordo que ela se sinta assim). Embora esse não seja um exemplo muito forte de forçação de barra, o que eu queria ressaltar é que apesar disso ainda existe essa tendencia BEM masculina de forçar as pessoas a algo que não é natural delas: “ela tem que me aceitar como mulher!” (palavras da própria). Por mais que não seria um estupro e foi mais uma rejeição por ela não ter uma vagina, teria sido um estrupro mental, colonização mental. É o problema do queer de tudo ser um conceito…

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  4. jessicarose1402

    Teu blog é ótimo.
    Fico feliz de, no meio dessa confusão na qual somos proibidas de falar a palavra vagina sob pena de sermos taxadas de transfóbicas, alguém tenha a coragem de explicitar qual a real intenção desse movimento queer e qual o seu modus operandi.
    Sou hetero, mas observo isso acontecendo direto com mulheres lésbicas dentro de grupos feministas.Aconteceu uma única vez de uma pessoa trans portadora de pênis (resumindo, macho) me adicionar acreditando que eu era lésbica.Quando eu disse que não era, que era hetero, a pessoa começou a descrever seu pênis, e falar em transfobia, tudo em questão de 5 minutos até ser bloqueada. Achei curioso, porque isso ia contra ao mantra deles de que genital não define nada. Uma vez que eu sinalizei que era hétero, e se o genital não tem importância, por que essa pessoa achou relevante falar do seu pênis?
    Ah, e dizer “meu pau me fez mulher” ou “vai ter pau no feminismo” é totalmente aceito, mas falar em maternidade, ousar falar de algo relativo ao corpo feminino, como amamentação, menstruação, parto, é estritamente proibido.É trigger.Risos.
    Sobre a questão de reclamarem de ‘”mulheres masculinizadas “”. Isso me incomoda demais. Aceitam prontamente homens de saia, ou até mesmo de barba por fazer, basta falar as palavrinhas mágicas: “me identifico como mulher”. Como é fácil para o homem, ele logo encontra aceitação entre as mulheres. O contrário não ocorre. Se um uma afab que se considera homem trans chegar em um grupo de homens e dizer que também é homem, nenhum aceitará isso, e ela corre risco de sofrer estupro corretivo por parte de um desses caras. Ela nunca para de correr riscos. Risco de ser assediada, espancada, estuprada, engravidar e ser mãe compulsoriamente, de sofrer violência obstétrica.Eu entendo mulheres que se denominam homem trans. É óbvio que se houvesse um meio de nos livrar da opressão que é ser mulher, todas optaríamos por ele. Mas, infelizmente para todas que nasceram com vagina, não há.
    Ou seja, se essa “”fluidez de gênero”” (muitas aspas porque não acredito nisso) só é aplicável para homens, a classe que oprime, tem algo de muito errado nessa história de queer. Claro, só para começar.

    Aí vai vir alguém e me dizer que trans morrem, são estuprados e etc. Nunca neguei isso. Mulheres também morrem, e em maior quantidade, inclusive.Aliás, quem morre são aqueles que se prostituem nas ruas porque são pobres, não a galerinha universitária queer. A questão é: morrem por não performar a “masculinidade”, e não por serem mulheres. E que culpa nós feministas temos nisso, se lutamos contra os esteriótipos de gênero que essas pessoas que resumem ser mulher a uma performance reforçam?

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