Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Às (futuras) mulheres da Academia

Romantismo, tática de guerra, culto ao heroísmo falocentrado, à fragilidade feminina, pai do individualismo, força motriz do capitalismo que faz os seres humanos acharem que suas opiniões estão acima da materialidade histórica. Serve aos homens, às igrejas e às guerras. Tokeniza minorias sociais com o discurso de caridade e agora exige sororidade.

 

As mulheres, principalmente as mulheres que pretendem frequentar a Academia, precisam compreender urgentemente que dar continuidade a trabalhos iniciados por homens, gerações atrás, é equivalente a perpetuar a dominação deles sobre as mulheres. Isso porque a dominação masculina não é somente territorialista, não se trata simplesmente de ocupar as universidades e pronto acabou. Se igualdade fosse pautada por dividir o mesmo espaço, como se explicaria a violência doméstica? Os pensamentos produzidos por eles atravessaram os séculos, desde a Grécia Antiga, construídos de geração em geração com o silêncio das mulheres que se mantinham cativas sendo suas esposas, mães de seus herdeiros, ou serviçais, mães de sua futura mão-de-obra. Sendo estupradas, engravidadas, impedidas de ler e de escrever enquanto o conhecimento era produzido e catalogado por homens. Todo e qualquer tipo de conhecimento produzido por mãos e mentes masculinas desde o berço da Academia foi criado por e para homens, para mantê-los senhores e soberanos na sociedade. Este conhecimento alienador e alienante de mulheres deve ser parado imediatamente. Quantos homens do seu convívio você acredita que, diante de uma denúncia de que um amigo dele ter estuprado outra mulher, cortaria as relações imediatamente com o estuprador e ofereceria apoio à vítima? Quantos homens do seu convívio você acredita que, diante de uma denúncia de que um de seus amigos agrediu a namorada, cortaria relações com esse amigo e prestaria solidariedade à mulher agredida? Quantos pais você conhece que denunciaram homens que abusaram de suas filhas para a polícia?

Homens aprendem, desde muito cedo, que contam com a proteção uns dos outros porque é isso o que vai proteger os direitos deles de serem servidos em diversos níveis. A broderagem é a ferramenta de manutenção do patriarcado. Mesmo os piores inimigos apertam as mãos quando se sentem ameaçados pelas mulheres. Compas, abram os olhos, isto já está acontecendo. Ou vocês acham mesmo que o novo Papa é tão, tão bonzinho, tão moderno, tão amante da diversidade, que realmente acredita que uma trans é aceita por pelo seu Deus do jeitinho que ela é?* Lógico que ele não pensa assim, minhas amigas, tanto que ele já até comparou as pessoas trans a armas nucleares. Ele está passando uma mensagem. O patriarcado está ouvindo. Pessoas trans são as armas nucleares da nossa guerra silenciosa às mulheres, é a mensagem que eu capto daqui. Este é um texto sobre táticas de guerra. E lendo este link, tudo se confirma. Parece conspiração? Mas quando foi que o mundo não conspirou contra as mulheres? Abram os olhos, minhas queridas, porque a teoria Queer é uma releitura pós-moderna das obras de Freud, obras recheadas de misoginia e de culpabilização de crianças por abuso sexual infantil. Existe um projeto de readequação das mentes das mulheres às demandas masculinistas para a realidade do mundo pós-globalizado, pós internet, um mundo identitário, avatarístico, sugador de mentes por meio da luz que emana das telas. Sim, um projeto “iluminado”, com todo o sentido negativo que essa palavra tem para quem já não se deixa mais levar pelos dogmas que pretendem “iluminar” a sociedade. É um projeto masculinista inteligente e integrado, uma aliança entre Igreja, Estado, Academias, Mídias, Medicina, Indústria Farmacêutica, Bancos, ou seja, entre todas as instituições que se beneficiam do imperialismo patriarcal. É um projeto integrado inclusive com outros projetos sociopolíticos de manutenção de supremacia e controle de minorias. Entendam quais os objetivos masculinos por trás de cada tese, de cada dissertação, de cada enunciado dentro de uma sala de aula. Analisem. Reflitam. Vejam as atitudes desses homens, como eles tratam suas alunas, como olham para elas, como você mesma é por eles tratada. E reajam. Reajam rejeitando ser mais uma de seus capachos, mais uma mulher inteligente a serviço da mente dos machos. Mais uma mulher interrompida. Mais uma mulher que irá colaborar para a interrupção de tantas outras meninas que terão de lidar com as antigas amarras por causa do medo que nós temos de fazer o que é necessário. Do que você tem medo?

* Eu não acredito que as mulheres trans saibam disso, pelo contrário, elas também são vítimas do mesmo patriarcado que nós, mas ainda assim estão acima das mulheres materiais na hierarquia de gênero, porque o que o Papa – como porta-voz do patriarcado que é – quer controlar não é a identidade de gênero dela, mas sim o sistema reprodutivo feminino. O pró-ativismo Queer é massa de manobra do patriarcado. Poucos sabem bem o que estão fazendo por ali, e pode acreditar: os que sabem estão na Academia, usando a internet e as redes sociais como seus laboratórios humanos. Dito isso, gostaria que se lembrassem de que mesmo respeitando a identidade de gênero de pessoas AMAB que desejam ser lidas como mulheres, eu não acredito que identidade possa ser capaz de definir existência, porque a existência é, é do momento em que se nasce até o momento em que se morre, não existe fluidez, é-se em todo instante, do primeiro choro até o último suspiro. A identidade é fluida. A existência não. Identidade é identidade, existência é existência, corpo é corpo, e fatos biológicos não podem mais ser invertidos. A Bíblia já fez isso, e o resultado não foi muito agradável, não é mesmo?

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