Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Matrilinearidade importa

A única maneira de furar, sistematicamente, o silêncio da história das mulheres é despertar cada uma de nós para as histórias de nossas mães, avós, bisavós. Ainda que elas não queiram contar, porque muitas se esquivam das perguntas. Dói relembrar. Mas elas dão pistas. E se cada uma de nós juntarmos as pistas que elas dão, seremos capazes de costurar os mosaicos com o objetivo de construir aquilo que eles não querem que tenhamos acesso. Mas só teremos os olhos limpos quando pararmos de culpar nossas mães por tudo. Quando entendermos que ELES querem que as culpemos porque desta forma nós também não contaremos suas histórias. Quebrar o ciclo de violência contra a mulher depende de compreendermos que os problemas que temos com as nossas mães não são pessoais. São sociais. E não são obras de um acaso, do azar. São propositais. São ferramentas de silenciamento. Foram maquinados e implantados. Essas ferramentas estão funcionando até hoje. Destrua-a. Limpe sua percepção e escute sua mãe.

Você não precisa amá-la. Tampouco perdoá-la caso ela tenha colaborado com os estragos feitos na sua vida. Inclusive é melhor não perdoar porque perdoar é esquecer e se você esquecer como contará a sua história? Se você deseja ser livre, se quer as mulheres livres, deve compreender que enquanto não conhecermos as histórias das mulheres, enquanto formos obrigadas a perdoar, perdoar, esquecer, esquecer, enquanto não refletirmos sobre as raizes dos silêncios das mulheres em relação às violências que sofremos, enquanto não entendermos que cada uma de nossas histórias pessoais carregam um paralelo com as escritoras impedidas de publicar suas obras, marginalizadas da literatura – quantas filósofAs imprescindíveis para a construção do pensamento humano você consegue citar agora, sem pensar muito? -, entenda que a maior ferramenta para que isso aconteça está dentro de você. Essa ferramenta é pensar politicamente a sua própria história e também a de sua mãe. Sem as nuvens de culpa que nos impedem de notar a realidade.

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2 Respostas para “Matrilinearidade importa”

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