Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Mulher olhando pra trás

Uma síntese sobre a história da literatura aniquiladora de qualquer possibilidade de construção de uma literatura feminina.

Tudo veio sendo cavado nas nossas mentes desde o quinhentismo. No quinhentismo a colonização bruta pela Igreja Católica, depois o barroco que aprofundou o projeto de colonização inicial trazendo as discussões sobre a dualidade espírito x matéria (ou seja, cada vez mais “alma” é uma coisa e “corpo” é outra, corpo é empréstimo e alma é eterna). E então o Neoclassicismo (também conhecido como Arcadismo) que passou a retratar um certo bucolismo, uma nostalgia da vida no campo (a pergunta: nostalgia de quê, exatamente? que sentimento era esse que os literatos queriam explorar nas pessoas?) e um princípio da idealização da mulher amada, plantando a sementinha do Romantismo que viria logo depois ampliando a mulher como a musa sagrada, e então o Realismo que até mandava a real, mas nunca do ponto de vista das mulheres. Parnasianismo com sua prolixidade elitista, seus versos milimetricamente pensados. Simbolismo, sob influência do pai misógino da psicanálise (que até hoje geralmente é o que dá a palavra final nas teorias de análise literária dentro da academia), o Pré-Modernismo que coloquializou a linguagem – epa, Jeca Tatu do Monteiro Lobato também pode escrever mas mulher ainda não -, e o Modernismo com a grande mentira de que era um movimento artístico de ruptura – se fosse ruptura as mulheres ficariam de fora? esta seria a verdadeira ruptura) e então, tã-dãm, o Pós-Modernismo que, em que até mesmo se eu cheirar tinta azul e rosa e espirrar na parede o desenho formado será considerado arte e tudo pode ser qualquer coisa, inclusive qualquer pessoa pode ter o gênero que quiser, ou seja, um macho pode dizer que é mulher que tá tudo certo e todas temos que aceitar. Afinal, nós tivemos direito a assinar nossos nomes em livros desde quando a impressão foi inventada, certo? Que mal tem aceitar que qualquer um diga que basta querer pra ser mulher? Nós nem precisamos nos segregar de quem desde o início da História quer nos excluir dos registros, né mesmo?

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