Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Manifesto Ginofágico

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Só a Ginofagia nos une. Mais que socialmente. Mais que economicamente. Mais que Filosoficamente. Materialmente.

A grande proibição do mundo. Expressão sufocada por todos os individualismos, excluída de todos os coletivismos. Amaldiçoada por todas as religiões. Não há para nós nem o esboço de um tratado de paz. A paz é uma mentira branca travestida de pomba. Mentira sanguinária. Da mesma cor que a culpa: alva, alva.

Tupi or not tupi is not the question.

Nem mesmo as freiras das catequeses podem se amar. E nem mesmo as mães e as filhas. Só me interessa o que não é meu: por ter nascido mulher nada possuo, logo, não me é permitido que eu me interesse pelo sexo que mora entre minhas coxas. Não é meu: lei do homem. Lei do estuprador. Estamos fatigadas de todos os maridos e pais católicos e pedófilos suspeitosos postos em drama. Freud invejou a mulher e criou um enigma para seu próprio benefício, para o benefício de uma cultura que queria perpetuar. O que atropelava a verdade era a carne, o permeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A paralisação diante do violento homem nu. O cinema americano tentou esconder mas escancarou.

Filhas da lua, mãe das sobreviventes. Encontradas e abusadas ferozmente, com misoginia, com impunidade, pelos imigrados, pelos traficantes e pelos touristes. No país da cobra grande.

Foi porque nunca tivemos direito de estudar as gramáticas dos nossos silêncios secularmente compartilhados, nem os chás abortivos das nossas ancestrais. E tivemos de nos adaptar ao que mentes masculinas construíram com as mãos de seus escravos e escravas: ao urbano, ao suburbano, ao fronteiriço e continental.

As melhores domésticas do mapa-mundi vêm do Brasil. Por quê? A consciência dos exploradores é branca como as latrinas que eles – e elas – se negam a limpar sozinhos, mas eles nem ligam, claramente constroem seu sucesso às custas da miséria alheia. Contra todos os exportadores de meninas abusadas pelos próprios pais e negligenciadas pelas próprias mães, de quem foram separadas pelo medo da morte. A náusea da existência palpável que é a vida. A mentalidade ilógica é o que mais somos obrigadas a estudar nas Academias. Queremos a revolução vaginista. Maior que a Revolução Francesa. A permissão de todos os separatismos revoltosos e necessários à destruição do que nos trai e destrói. Porque sem os úteros das indígenas nativas e das africanas a Europa não teria colonizado este país.

A idade de ouro anunciada pela América? Modernismo para as mulheres sequer existiu, quem dirá o pós. A Idade das Trevas continua em 2015. O ouro daqui pertence aos falos brancos bisnetos de lá. E todas as girls.

Matrilinearidade. O contato com o Brasil vaginista. Fodam-se as palavras estrangeiras. Fodam-se: o homem natural, Rousseau, a Revolução Francesa, o Romantismo, a Revolução Bolchevista, a Revolução Surrealista e o bárbaro tecnizado de Keyserling. Foque-se na história ginocida do mundo. Caminhamos…

Fomos catequizadas até o útero, impedidas judicialmente de termos direito à propriedade privada dos nossos órgãos reprodutores. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Embranqueceram e emagreceram Yemanjá. Não queremos saber deste Cristo que fizeram nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.

Mas nunca admitimos o nascimento da falta de lógica entre nós.

Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe: ponha isso no papel com lábia a dar com pau. Fez-se o empréstimo, selado pela fraternidade branca. Gravou-se o açúcar brasileiro na broderagem das elites religiosas e políticas. Refinadíssimo. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e trouxe aos homens a lábia. A mesma lábia masculina com a qual Oswald de Andrade escreveu cinicamente seu manifesto, como se não fosse mais um colonizador. Recusamos  conceber o espírito patriarcal em nossos corpos. Abortamos. O ginomorfismo. Necessidade vaginofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de ocidente. E a Inquisições do Hoje.

Mentiras. Mentiras. Mentiras. Mentiras. Mentiras. Mentiras. Mentiras.

Maternidade não seria destino sem cultura de estupro

Morte e vida dos papéis que nos designam. Da equação eu parte de Gaia ao axioma Gaia parte do eu. Resistência. Ignorância. Ginofagia.

Contra tudo o que foi dito na literatura até aqui. Em comunicação com o útero.

A ginofagia também falha. Brancas também catequizamos. Nos apropriamos do Carnaval. Vestidas com blackface e perucas desrespeitosas. Somos nojentas, herdamos a síndrome da princesa Isabel, cheias de bons sentimentos portugueses.

Colonizadoras. Academicistas. Colaboracionistas.

Catiti Catiti

Imara Notiá

Notiá Imara

Ipeju

A magia e a vida. Nunca tivemos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. Mas já soubemos transpor o mistério e a morte com o auxílio das bruxas que foram queimadas, nossas avós. Ginocídio.

Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do acesso a todos os espaços, inclusive o espaço oco que mora nos ventres das mulheres. Esse homem chama-se Todos Eles. Matei-os.

Só não há determinismo onde a cultura patriarcal não se impôs. Mas que temos nós com isso?

Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado.

Sem Napoleão. Sem César. Sem cesáreas eletivas.

A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria da guerra. E os transfusores de sangue.

Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.

Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida. Não precisamos de salvação e sim de protagonismo.

Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos vomitando, porque somos fortes e vingativas como o Jabuti.

Se Deus é a consciência do universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.

Ainda temos a adivinhação. Temos a sede de proteger Gaia da destruição. De um sistema social-planetário.

As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.

De Karen Horney a Alice Miller e Audre Lorde. A transfiguração do Totem e do Tabu pedofílico em culto ao buraco negro. Ginofagia.

O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: apagamento do sistema reprodutor feminino + divisão imaginária entre o que é do mundo e o que é das ideias  + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.

É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar a ideia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.

O objetivo criado reage como os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?

Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.

Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.

A alegria são dois clitóris roçando um ao outro.

No matriarcado de algumas casas.

Pela memória a ser recuperada. A experiência pessoal do orgasmo enfim gritada.

Somos as verdadeiras concretistas. O corpo toma conta, reage depois de queimados nas praças públicas. Suprimamos as ideias e as outras paralisias com o nosso corpo odiado que aprenderemos a amar. Pelos roteiros de nossas próprias vidas. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.

Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.

A alegria são dois clitóris roçando um ao outro.

A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criadora – ilustrada pela contradição do verbo que inicia tudo. Se no princípio era o verbo, então o verbo era: parir. Não esse verbo abstrato que diz anteceder a existência do mundo, não o verbo da voz masculina de deus. Modusvivendi capitalista. Ginofagia. Absorção do inimigo pela vagina dentada. Para finalmente degolar o totemismo.

A feminina aventura. A terrena finalidade. As puras elites pálidas e falocêntricas conseguiram realizar a antropofagia carnal que Oswald julga o mais alto sentido da vida citando o pedófilo do Freud, pai do modernismo. Patriarcas sempre dão as mãos.

Nós não queremos a sublimação do instinto sexual. Queremos sua extinção. A extinção do que Oswald chama de instinto antropofágico. A exposição do real objetivo por trás da teoria do Complexo de Édipo freudiana: culpabilizar crianças pelo abuso sexual paterno. Infiltrado em todas as ciências. Desvia de seu sadismo e o transfere a inocentes. Chegamos aos fatos.

A ginofagia impossibilitada pelos pecados de catecismo – a inveja do útero, o fetichismo, a cultura do estupro, o feminicídio. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados que se creem civilizados: é contra os bárbaros pós-modernistas que estamos agindo. Ginófagas…

Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo. Contra Jean Wyllys tentando falar por nós.

A nossa independência ainda não foi proclamada. Frase típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsaremos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte. Nem que seja só na literatura.

Contra a realidade patriarcal, travestida e opressora, possibilitada por Freud, Lacan e Judith Butler. A realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.

 

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