Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Fui Publicada ou Sentindo Meus Próprios Passos

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Clique aqui caso queira comprovar a autoria do poema acima verificando a data da publicação, já que hoje, ao googlá-lo,  encontrei sem os créditos no perfil de um cara no facebook.

Um poema meu foi impresso. Num livro. Cheio de folhas reais que passam ao toque dos dedos. O que antes era sonho, agora virou materialidade. Ele tem endereço: Desnamorados, página 66.

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Ele também tem vizinhos: 60 autores. Várias minas. Mais o nome de cada pessoa que, por acreditar na importância da existência desse livro, apoiou sua realização: ao todo, 500 colaboradores doaram seu tempo, sua energia, seu dinheiro e seu talento para realizar e financiar custos. É um livro independente, vivificado às margens do mercado editorial, apontando para um novo modo de se produzir e de se incentivar a produção literária no nosso país, tornando as amarras institucionais (patriarcais e capitalistas) mais frouxas.

Já era hora. O mercado editorial precisa urgentemente de uma revolução. De novas vozes e de novas metodologias de sustentabilidade. A internet e as redes sociais juntamente com as plataformas de financiamento colaborativo – ou coletivo, como queiram chamar – são poderosas ferramentas, que geram impactos reais na vida das pessoas. Disso eu já sabia antes de ser publicada: meu parto domiciliar foi pago por meio de uma vakinha, lembram?  Foi assim que eu fugi da violência obstétrica. Parindo em casa. E foi a melhor coisa que eu poderia ter feito na minha vida, por mim e pelo meu filho. O fato é que agora tudo se reconfirmou: a menina que sonhava que um dia poderia ler um poema de sua autoria impresso num livro, com direito a endereço e assinatura, realizou seu profundo desejo. Uma pagininha apenas. E daí? Quem disse que o sonho aconteceria de uma hora pra outra? Ele – o sonho – é feito por mim, por pessoas da rede, por conexão real, a cada minuto.

O que importa é que estou-vendo-com-esses-olhos-que-a-Terra-há-de-comer a revolução pipocando aqui e ali, estourando, transbordando, ricocheteando em mim. Ela não está sendo televisionada, mas eu estou vendo e é bom ver, ainda que eu saiba que falta muito, ainda que eu saiba que ver o que vejo é um privilégio, eu vejo, e vendo, prevejo a roda começando a girar no sentido anti-horário, se é que a metáfora está liberada. O mundo vai girar, a consciência gira, gira, gira. Gira em frequências muito particulares, pelas ondas cerebrais. Viagem? Sim. Psicodelia pura. Tão psicodélico quanto a maternidade tem sido pra mim. Repleta de símbolos, significados e, acima de tudo: carne, sangue, placenta, filho, uma folha impressa, material, coisa, três dimensões dentro de um determinado tempo tornadas possíveis por uma quarta dimensão: a digital, a dimensão das causas, das ideias, da mente, da qual a conexão wi-fi é mera metáfora. Viagem? Me deixa viajar… eu sempre viajo para dentro de mim e é por isso que escrevo, e é por isso que eu fui publicada. Devo estar fazendo algo certo. Estou curtindo – descrevendo – a viagem: montanhas e vales, euforias e depressões.

Quero agradecer à Anna Haddad, uma das idealizadoras do projeto, o convite para que um poema meu compusesse o Desnamorados, um livro colaborativo sobre o amor. Agradeço pela paciência e pela liberdade que me foi dada. Não é um livro apenas de poemas, é um livro poético escrito por pessoas muito talentosas. Vale a pena ser lido.

E às minhas leitoras (e eventuais leitores), gostaria de dizer apenas que a maior parte desse blog criado para expressar a minha maternidade, minha inquietude, minha luta por libertação e meu viés feminista esteve todo esse tempo focado no meu “papel” de mãe por aqui, mas isso não é um blog somente de maternidade, tanto quanto eu não sou somente mãe. Eu sou aquela mulher que acredita na poesia da vida
. Aquela que não desiste de sonhar porque deseja, muito, permanecer viva, mesmo depois das quedas. Aliás: pelas quedas.

Sejam bem-vindas à fase em que a inquietude vai reinar absoluta por aqui. E o viés político feminista juntamente com a maternidade serão atmosfera, e não foco. Não serão foco, mas tudo acabará girando em torno desses temas também, inevitavelmente, respirando através dos poemas que escrevo com o meu próprio punho.

Essa publicação foi um sopro de vida.

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2 Respostas para “Fui Publicada ou Sentindo Meus Próprios Passos”

  1. Paola

    Amiga, você me inspira. Meu orgulhinho! Já me senti tão menos por te ver tão no topo da maternidade que eu quero, sabia? É elogio e amor. Ver sua trajetória me inspirou, se juntou ao meu instinto e todas as minhas escolhas de mãe se resultam nisso. A mãe que eu sou hoje te agradece todos os dias. Porque sim, seria possível sem você e seu exemplo, mas infinitamente mais difícil, mais triste e mais chato. Te amo!

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