Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Parte do plano

Faz parte do plano. Faz parte do plano. Quantas vezes necessárias forem repetirmos pra que você entenda que tudo o que está acontecendo agora faz parte do plano, repetiremos. Faz parte. Faz parte. E se essas palavras não ressoassem dentro do teu peito, você sabe que elas seriam rejeitadas. Mas é teu coração quem te aproxima de nós, não a sua mente. Por isso você nos recebe com tanta abertura. Há suavidade em nossa comunicação. Há conexão e reencontro, reencontro com a menina que habita teu peito, carente de abraço, carinho e ouvidos. Uma vida em silêncio. Ah, uma vida em silêncio prendeu muitos gritos na sua garganta. E finalmente todos esses gritos estão saindo fugidos do mais fundo da sua alma. A casca do ovo foi quebrada. A sensação de quebra permeia o seu cotidiano, você teme que ela se instale permanentemente. Mas, não há o que temer. Prossiga. Se você pudesse enxergar além dos olhos, saberia por si o caminho teu que nós já sabemos. Não há o que temer. Os caminhos estão livres e limpos, a camisa-de-força foi arrancada, você nunca esteve tão lúcida, tão consciente de si. Sabemos, querida, que o que te prendeu um dia ainda te sufoca. O que te prendeu está no seu DNA. Mas o DNA é moldado por freqüências e palavras, transformado pela sua mente, pelas suas referências, pelas suas intenções. Você é um canal de energia criadora, como todos os seres humanos são. Deuses e deusas das próprias existências. Prossiga. Não há o que temer. Mas ainda há o medo. Na célula. Nesse período de religação com a sua própria consciência – da qual você foi separada desde o nascimento, quando te designaram mulher-, você percebe e experimenta o medo como nunca percebeu ou experimentou antes. Sua alma sente o cheiro de morte.

Não tema, pois você já morreu. Morreu diversas vezes e continuou viva. Apocalíptica. Medo, dor, angústia, aperto, como se dissessem: estamos aqui, não dos deixe ir embora. Somos nós quem te mantemos viva. Mas você se identifica com uma vida vivida baseada no medo, querida? Depois de tudo o que você já viveu, a morte até que lhe soa, algumas vezes, razoável. No entanto você luta para permanecer viva com tanta bravura. Luta como se a Terra fosse sua por direito. E é! Com direito a um pé direto na costela de Adão. Você luta sabendo que o razoável nunca preencheu teu peito, você não se contenta com o razoável, só se contenta com o tudo. Quer o tudo e quer nessa vida aqui, pois e se for a única? Embora teu coração diga que não é, você pensa que, de repente, pode ser. Pode mesmo ser a única,” então que a minha existência valha a pena, então que eu faça tudo o que estiver ao meu alcance não para ser perfeita, mas para ser quem eu sou”. É assim que você pensa, não é? E isso te dá vontade de viver. Gana. Raiva. Luta. Luta para se tornar o próprio núcleo desejoso por tornar-se e enfim ser em liberdade. Então viva o medo, viva a dor, viva a angústia e viva o aperto, viva, viva, viva, viva. Viva a raiva, o rancor e o tesão, viva tudo o que te impediram de viver, permita-se encarnar o que vier. Você já não vive o tempo de forma linear, já acessa sem querer o passado e o futuro, casca quebrada. E embora o passado ainda prevaleça por causa do medo da repetição da violência, ele é finito, enquanto que o porvir, ainda que você não saiba se é ou não infinito, pode muito bem durar muito mais do que o que já passou, e isso te torna responsável pelo futuro daquelas que ainda virão de carne e osso enfrentar o que você mesma enfrenta hoje. Ou, quem sabe, elas não precisarão enfrentar o que você enfrenta do mesmo jeito que você não precisa enfrentar o que nós enfrentamos. Pois assim como você e nós, todas estamos nos levantando. Estamos levantando nossos braços e nossas vozes. E se nos calarem, gritaremos.

Gritar faz parte do plano. Lembre-se sempre disso.

As Irmãs

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