Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Recado materno pro Feminismo Burguês

Pro rolê feminista que se acha no direito de cagar regra na militância alheia, vulgo feminismo burguês baseado em autoridade academicista, branco e classe-média, crítico do movimento pelo parto humanizado por ser elitizado com o argumento de que ele não alcança as mulheres negras, pobres e indígenas (sendo que as ativistas também pressionam orgãos públicos e o SUS), eu rebato a crítica: se vocês se acham tão donas do movimento por saberem citar teoria ou por fazerem parte de um grupo panelinha que é desses, por que não começam a criticar com mais afinco, além da compulsoriedade da maternidade (que é algo que o movimento feminista materno problematiza também), a compulsoriedade da heterocisnormatividade e a compulsoriedade da monogamia, seríssimos problemas que geram boa parte das violências contra a mulher, especialmente da negra e pobre? Se estão tão preocupadas com as negras, pobres e indígenas, por que não são tão enfáticas com as colegas de mitilância em cobrar que elas deixem de explorar mulheres negras e pobres que trabalham como babás e empregadas domésticas? Por que não problematizam a tecnocracia e o cientificismo, frutos da hierarquização do conhecimento, que retiram de vários grupos minoritários a agência sobre suas próprias vidas por meio do biopoder? Por que não criticam o sistema econômico vigente, raiz das desigualdades sociais?

Se não puderem responder às minhas questões, e eu duvido que vão, porque isso seria assumir que sim, vocês são as grandes privilegiadas do rolê, eu peço apenas uma coisa: parem de usar as negras, pobres e indígenas como se elas fossem um objeto de estudo e não tivessem voz própria para servirem de argumento-manobra pra cagação de regra na militância materna feminista. Estamos cansadas e não vamos mais tolerar levarmos nós o rótulo de privilegiadas quando vocês é que estão nadando num mar de privilégios e se beneficiando daquelas que vocês usam como escudo argumentativo. Essa fita já deu o que tinha que dar. Apenas parem.

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3 Respostas para “Recado materno pro Feminismo Burguês”

  1. Keli Alexandre

    Achei esse texto muito “wtf?”. Acho que faltou citar um histórico dessa discussão. Desconheço casos do feminismo burguês contra o parto humanizado. E eu sou uma grande crítica desse feminismo que chamo de feminismo classe média. E mãe negra e da periferia.

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    • milfwtf

      Oi Keli! Dá uma lida num texto que tem aqui no blog, Violência Obstétrica: Pauta Feminista. Lá você vai achar linkado o post que deu origem a toda essa discussão. Um texto que aponta privilégio ao acesso ao PH – QUE SIM, EXISTE -, mas que foi leviano, pois deu a entender que a LUTA por esse parto é só para a elite quando na verdade algumas mulheres que merecem ser citadas estão envolvidas na luta pelo PH no SUS.

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      • milfwtf

        Ah, só pra ficar claro… o grupo de discussão de onde saiu esse post leviano que te falei critica a luta por ser elitista (o que não é, embora o acesso ainda seja, a luta tá aí pra ampliar o acesso pra todas), mas é formado por diversas mães que têm empregadas e babás, mas isso elas não questionam que é elitista, e eu vejo uma incoerência gritante nisso. O que você acha? Desculpe pela demora, eu vi seu comentário hoje.

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