Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Não é não. Mas o que isso que dizer?

Conversando com uma amiga sobre suas peripécias na descoberta da não-monogamia e nos aspectos dos relacionamentos afetivos heterossexuais (ela é hétero), soube que ela está vivenciando a fase de comunicar essa novidade aos seus possíveis parceiros. Um deles, com quem engatilhou um, digamos, romance, a princípio se encantou com a ideia e verbalizou que ela estava certa em suas vontades e que a respeitava. Entendo que dizer verbalmente que respeita alguém é assumir uma postura de respeito integral às opiniões e emoções da pessoa com quem se relaciona. Dizer, porém, é fácil. É uma manobra sagaz essa, a de concordar no discurso para depois se contradizer em atitudes, que é o que tem acontecido com o moço.

Antes de completar um mês de relacionamento, eles já tiveram algumas discussões. A intuição de minha amiga apitava enquanto conversávamos. Faltava alguma coisa nele e ela não conseguia explicar o quê. Na tentativa de buscar respostas, ela errava o alvo. Como o cara tem crises de ansiedade, ela atribuia sua insegurança aos problemas de saúde dele, que a deixavam desestabilizada. Mas eu conheço a amiga que tenho e sei que ela é perfeitamente capaz de compreender um problema de saúde. Então sua intuição apontava para um outro caminho e eu tinha de descubrir qual era para trocarmos ideias a respeito com o intuito de torná-la consciente daquilo que seu corpo queria comunicar a ela. O que é a intuição senão uma sensação a ser desvendada?

Então eu entrei na vibe de problematizar as discussões que eles tiveram, e eis que tudo se tornou claro: houve momentos em que ele queria sexo, ela não. E a negativa dela resultou em uma forçação de barra no nível do discurso. “Gatinha, eu vim aqui pra ficar com você, por que não?”. Cara. Cara. Fiquei transtornada, como assim por que não? Não não se discute. Tesão não se força. Quão problemático é um homem dizer que “veio aqui pra ficar comigo” quando ele quis dizer que “veio aqui pra ficar com a minha buceta”? Vendo a indignação na minha cara, ela confessou: acredita que eu tava me sentindo culpada por não ter transado com ele sempre que ele queria?

Acredito, amiga, acredito. E é por isso que perguntei pra você se eu podia usar a sua história como o eixo de um post aqui no blog. Quantos homens não forçam a barra pra transar com as mulheres com quem saem/namoram/estão casados? Meu bem, sexo sem consentimento explícito é estupro. Forçação verbal de barra é um estupro mental. O cara pode dizer aos quatro ventos que respeita as suas descobertas não-monogâmicas e entre quatro paredes, discutir a sua indisponibilidade para o sexo. Ele diz que te respeita. Mas você se sente respeitada?

Mulheres, ouçam a intuição de vocês. Sim, ela pode ser facilmente confundida com uma desconfiança reativa que temos em relação aos homens em geral por causa dos relacionamentos abusivos em que nos metemos sem querer. Mas isso pode e deve ser verbalizado. Se existe incômodo, cavoque-o. Peça explicações. E se a sua atitude for interpretada como teimosia, chatice, bobagem, veja bem se é esse o tipo de relacionamento que você deseja ter.

Se existe algo como “se dar o respeito”, não está na roupa que você veste ou na altura da sua voz ou na droga que você toma de fim de semana pra se divertir. Se dar o respeito é ouvir o que o seu corpo quer dizer a você. Acolher a própria voz. E soltá-la para o mundo. O respeito vai além do discurso. Não é não. Seja ele dito com as mãos, com uma expressão facial ou com a boca. Não deixe que ninguém ultrapasse os seus limites.

Um beijo e vamos juntas.

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