Mãe. Inquieta. Lésbica. Foda-se. ▶ #Herstorytelling

Espera

Sinto longos textos dentro de mim, mas quando vou escrevê-los, se negam a virar linguagem. Não forço. Não estão prontos. Tem gente que chama isso de inspiração e tem medo de perder o momento. Vai anotando tudo num papel, num aplicativo. Eu chamo de construção e paciência. É simples: se a coisa foi embora, das duas uma: ou era ela que não merecia minha atenção, ou eu que ainda não tava pronta pra ela. Quem sabe aparece numa hora mais oportuna? Vou vivendo que ela vem, ou outra coisa vem, não preciso desse apego à impressão de coisa que quer ser criada a qualquer custo.

Calma.

O mundo pede pressa, as pessoas querem consumir informação. Mas aqui a coisa é artesanal, bem como é inútil. Pra que serve esse texto? Pra nada.

É só uma mãe esperando pelo momento de parir seu filho.

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3 Respostas para “Espera”

  1. Dani

    Penetra surdamente no reino das palavras.
    Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
    Estão paralisados, mas não há desespero,
    há calma e frescura na superfície intata.
    Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

    Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
    Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
    Espera que cada um se realize e consume
    com seu poder de palavra
    e seu poder de silêncio.
    Não forces o poema a desprender-se do limbo.
    Não colhas no chão o poema que se perdeu.
    Não adules o poema. Aceita-o
    como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
    no espaço.

    Chega mais perto e contempla as palavras.
    Cada uma
    tem mil faces secretas sob a face neutra
    e te pergunta, sem interesse pela resposta,
    pobre ou terrível que lhe deres:
    Trouxeste a chave?

    trecho de A Procura da Poesia, Drummond

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    • milfwtf

      Drummond, mestre, avozinho fofo das palavras. Não tinha feito a associação com este poema dele. A sensação é a mesma, mas a minha construção é podrinha diante da dele, hahah. Obrigada por me lembrar da existência desse poema. Você já foi ao museu da língua portuguesa? Lá a gente ouve o Arnaldo Antunes falando, no elevador, quando vamos entrar: penetra surdamente no reino das palavras. Beijo!

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